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  Título
Será que ela é? (Não)Pertencencimentos do Nuevo Cine Latinoamericano
Autor
Marina Cavalcanti Tedesco
Resumo Expandido
Em A ponte clandestina (1995), único livro editado sobre o Nuevo Cine Latinoamericano (NCL) no Brasil, Avellar se aproxima de tal movimento a partir do pensamento de alguns de seus principais expoentes, a saber: os argentinos Fernando Birri, Fernando “Pino” Solanas e Octavio Getino, o brasileiro Glauber Rocha, o boliviano Jorge Sanjinés e o cubano Tomás Gutiérrez Alea.

Diferentemente do mercado editorial, a Internet oferece inúmeras possibilidades de produção e veiculação de textos. Tal característica, ao mesmo tempo em que contribui para uma proliferação de discursos sobre os mais diversos temas, inviabiliza generalizações relativas ao meio. Por isso, a título de ilustração, serão analisados alguns artigos escritos por brasileiros nos últimos anos sobre o NCL disponíveis na rede. Contudo, é preciso enfatizar que não necessariamente se tratam de autores consagrados ou de referências obrigatórias quando se quer investigar o tema no país.

Em um estudo intitulado América em Transe: Uma proposta metodológica para o estudo dos “Cinemas Novos” da década de 60 (2006), Moreno afirma:



Glauber Rocha, no Brasil, Tomás Gutierrez Alea e Julio García Espinosa, em Cuba, Jorge Sanjinés, na Bolívia, Fernando Solanas, na Argentina são alguns nomes que produziram filmes e elaboraram teorias que revelam uma identidade no que diz respeito à sua produção artística, às suas teorias cinematográficas e seus objetivos (MORENO, 2006, p.1).



Já o autor de O Nuevo Cine Latino-americano e a filmografia sobre os regimes civil militares (2006) escreve:



Vários foram os diretores que se manifestaram através desta perspectiva cinematográfica do Nuevo Cine: Octávio Getino, Fernando Solanas, Fernando Birri, Miguel Littin, Helvio Soto, Raul Ruiz, Jorge Sanjinés, Tomas Guttierrez Alea, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Rui Guerra, Walter Lima Junior, Cacá Dieques, Roberto Farias e outros (MENDES, 2006, p.1).



E Villaça, em Os acontecimentos de 1968 e seu impacto na produção e circulação do Nuevo Cine Latinoamericano (2008), cita Júlio García Espinosa na página 3, Octavio Getino, Mario Handler, Santiago Alvarez e Fernando Solanas na 4, grupo Grupo Ukamau na 5, Humberto Solás na 6 e Glauber Rocha e Massip na 9.

Comparando as citações dos artigos e dos livros, dois aspectos se destacam de imediato. O primeiro deles é a presença obrigatória de certos nomes quando se fala de Nuevo Cine Latinoamericano¬. O segundo é a quantidade de cineastas referidos; no material retirado da internet ela é muito maior – o que poderia ser explicado, entre outros fatores, pelos diferentes objetivos das obras em questão.

Há, ainda, um terceiro ponto que também é bastante perceptível, o qual até agora praticamente não recebeu destaque por parte dos estudiosos: há apenas realizadores quase todas as listas – em especial na bibliografia brasileira. Às diretoras, que tem inclusive suas existências questionadas devido à invisibilidade, sempre restaria a categoria “e outros” (MENDES, op.cit, p.1).

Com o grau de dificuldade que caracteriza o trabalho de pesquisar sujeitos subalternos é possível identificar algumas cineastas cuja filiação ao NCL é bastante óbvia: a peruana Nora de Izcue participou do Comité de Cineastas Latinoamericanos, toda a produção audiovisual da cubana Sara Gómez foi financiada pelo Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos (ICAIC)...

Contudo, como proceder naqueles casos em que as relações de pertence/não pertence não estiverem tão evidentes como nos exemplos acima? Quais seriam os critérios para se identificar realizadora(s) e Nuevo Cine Latinoamericano? Período histórico? Afinidade temática? Estática? Presença na bibliografia especializada? Reconhecimento da crítica ou de seus pares?

A partir de situações concretas, Será que ela é? (Não)Pertencimentos do Nuevo Cine Latinoamericano procurará responder a tais perguntas metodológicas.

Bibliografia

AVELLAR, José Carlos. A ponte clandestina: Birri, Glauber, Solanas, Getino, García Espinosa, Sanjinés, Alea – Teorias de cinema na América Latina. Rio de Janeiro/São Paulo: Ed.34/Edusp, 1995.



MENDES, Ricardo Antonio Souza. O Nuevo Cine Latino-americano e a filmografia sobre os regimes civil-militares. 2006. Disponível em: http://www.rj.anpuh.org/Anais/2006/conferencias/Ricardo%20Antonio%20Souza%20Mendes.pdf. Acesso em: 21/0/2010.



MORENO, Patricia Ferreira. América em transe: Uma proposta metodológica para o estudo dos “Cinemas Novos” da década de 60. 2006. Disponível em: http://www.rj.anpuh.org/Anais/2006/conferencias/Patricia%20Ferreira%20Moreno.pdf. Acesso em 21/03/2010.



VILLAÇA, Mariana Martins. Os acontecimentos de 1968 e seu impacto na produção e circulação do Nuevo Cine Latinoamericano. 2008. Disponível em: http://www.anphlac.org/periodicos/anais/encontro8/mariana_villaca.pdf. Acesso em: 21/03/2010.