/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
Um conto de duas cidades: transnacionalidade em Que horas são aí?, Con
Autor
Cecília Antakly de Mello
Resumo Expandido
OBS: O título não coube no espaço alocado acima, por favor ver título completo no início do resumo.



A comunicação proposta parte de uma abordagem original para o estudo da relação entre cinema e espaços urbanos, procurando traçar um novo mapa dentro do panorama do cinema mundial. Deste modo, a problemática da noção de cinema nacional encontra-se incorporada na própria abordagem supranacional sugerida, que procura investigar os filmes Que horas são aí (Tsai Ming-liang, 2001), Contra a parede (Fatih Akin, 2004) e Import/Export (Ulrich Seidl, 2007) a partir de aspectos comuns de sua figuração da cidade. A análise funda-se, em primeiro lugar, na noção de Cinema Mundial formulada por Lúcia Nagib (2005), que propõe a adoção de uma abordagem democrática e inclusiva nos estudos de audiovisual, rejeitando a divisão binária entre centro (Hollywood) e periferia (o resto do mundo). Cinema mundial é definido a partir de uma concepção policêntrica, reflexo de um ambiente político e econômico no qual novas potências emergem em diferentes pontos do planeta, não mais sob a tutela de um poder maior, criando assim uma nova configuração global multipolar. Partindo desta premissa, esta comunicação pretende estudar, a partir dos filmes supracitados, o movimento transnacional entre duas cidades, movimento este que produz o encontro entre duas geografias distintas e suscita questões relacionadas a tempo, espaço, memória e identidade. Que horas são aí? aproxima Taipei e Paris através de dois personagens principais: Hsiao Kang (Lee Kang-sheng), vendedor de relógios em uma passarela de pedestres, e Shiang-chyi (Chen Shiang-chyi), de partida para Paris e em busca de um relógio com horário duplo. Contra a parede faz a ponte entre Hamburgo e Istambul: filhos de imigrantes turcos estabelecidos na Alemanha, Cahit (Birol Ünel) e Sibel (Sibel Kekilli) se casam por conveniência mas acabam por se apaixonar. Após uma separação trágica, Sibel decide partir para Istambul, e será lá que reencontrará Cahit alguns anos mais tarde. Em Import/Export, o austríaco Ulrich Seidl trata de movimento semelhante entre o oriente e o ocidente a partir da viagem de uma jovem ucraniana de Snizne para Viena, e de um austríaco de Viena para a Ucrânia. Os três filmes oferecem extenso material para o questionamento da noção de cinema e identidade nacional, cruzando fronteiras e aproximando espaços, ao mesmo tempo em que lidam com a questão da memória de um outro espaço e de um outro tempo. As cidades, além de locações reais, são neles construídas através de imagens, impressões e sensações vividas pelos personagens, em seu país de origem, estrangeiros em outras terras ou desprovidos de uma identidade nacional.



Bibliografia

Bruno, Giuliana(2002), Atlas of Emotion: Journeys in Art, Architecture and Film. New York: Verso.



Andrew, Dudley(2005), “An Atlas of World cinema”, in Song Hwee Lim e Stephanie Dennison (orgs), Remapping World Cinema: Identity, Culture and Politics in Film. Londres: Wallflower Press, pp. 19-29.



Massey, Doreen (2008), Pelo Espaço. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.



Nagib, Lúcia (2005), “Towards a Positive Definition of World Cinema”, in Song Hwee Lim e Stephanie Dennison (orgs), Remapping World Cinema: Identity, Culture and Politics in Film. Londres: Wallflower Press, 2005



Rehm, Jean-Pierre, Joyard, Olivier e Rivière, Danièle (1999), Tsai Ming Liang. Paris : Dis Voir.