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  Título
Estudos da recepção do audiovisual na interface com gênero e femin
Autor
Tania Siqueira Montoro
Resumo Expandido
Este artigo é parte dos resultados da pesquisa de pós - doutorado Revisitar os estudos do audiovisual sobre a perspectiva da critica feminista e dos estudos de gênero realizada, junto a Programa de Pós Graduação em Comunicação da UFRJ com apoio do CNPQ com orientação do prof. Denilson Lopes.

Dialogando com esforços pioneiros de pesquisadores como Escoteguy e Messa (2006); Stumpf, e Caparelli. (2001); Nassif (2005); Hamburger (1999), nosso intento é dar uma contribuição para a reflexão teórica dos estudos do audiovisual com recorte em estudos de gênero, no sentido de cartografar o desenvolvimento deste campo emergente, apontando retrocessos, avanços e tendências. Para tanto, em função do tempo e recursos da pesquisa realizou-se um minucioso inventário das teses e dissertações apresentadas aos programas de pós-graduação em comunicação entre 1995 e 2008, disponíveis no banco de teses das bibliotecas virtuais da Capes-MEC, do IBICT/MCT e das Universidades que possuem pós-graduação em comunicação.

Além das teses e dissertações, nos debruçamos em compilar artigos, capítulos de livros, papers e ensaios apresentados nos congressos anuais das associações cientificas mais representativas da área: Compós, Intercom e Socine.

Os estudos de audiovisual e recepção com recorte nos estudos de gênero e na critica feminista privilegia as conexões entre comunicação e cultura e busca, sobretudo capturar a(s) experiência(s) dos sujeitos, das audiências e receptores levando em consideração o deslocamento dos meios e sua presença na vida cotidiana; às formas de mediação que se estabelecem entre sujeito e mensagem e ainda, os processos de hibridismo cultural (Canclini: 1989) desafiando a noção de que os sistemas de comunicação global subjugam cidadãos, sexos, territórios, nações e paradigmas teóricos.

No inventário de teses, dissertações e papers estes trabalhos articulam experiências culturais e fatos sociais específicos e substantivam a análise cultural porque passam a evidenciar as complexas conexões entre meios de comunicação/ cultura cotidiana e os processos de intermediação, trânsitos e traduções que dão sentido a vida social. Estes estudos no território da critica feminista e dos estudos de gênero permitem que análises de experiências empíricas de grupos e coletividades de mulheres avançam o conhecimento mostrando as diferenças entre as mulheres. As análises empreendidas permitem singularizar a diversidade cultural entre as mulheres e colocam em relevo a diferença acentuando a falácia de um sujeito mítico e universalizante que estava na base da critica cultural feminista dos anos 60 e 80, que ocultava as diferenças existentes entre as próprias mulheres e entre mulheres de classes e países distintos.



A recepção não se conforma apenas como uma etapa do processo de comunicação; mas se edifica como um lugar novo, de onde devemos pensar e repensar a pesquisa em comunicação sobre quatro grandes princípios: o estudo da vida cotidiana; estudos sobre consumo cultural; os estudos sobre estética e semiótica da leitura e os estudos sobre historia social e cultural dos gêneros (Barbero; 1995:58) .

No domínio dos estudos da recepção e da experiência dos sujeitos sob a égide dos estudos críticos do feminismo se edificou o campo do Feminist Criticism Studies que no Brasil, vem produzindo conhecimento sobre recepção de programas de radio e televisão regionais e ainda, o reconhecimento de que programas de televisão e filmes podem adquirir significados diferentes para publicos diferentes , e de que esses significados não são univocamente definidos no momento da produção e se manifestam no momento em que diferentes apropriações e interpretações se consolidam. De modo geral e, especialmente entre os estudos feministas e de gênero, observa-se que essas pesquisas, apresentam um hibridismo de metodologias e instrumentos de coleta, análise e interpretação favorecendo a relação da comunicação com outras ciencias.
Bibliografia

ADELMAN, M. “Das margens ao centro: Refletindo sobre a teoria feminista e a sociologia acadêmica”. Revista de Estudos Feministas, Florianópolis, vol.11, 2003, p. 284-288,

AUMONT, J. “O ponto de vista” In: Geada Eduardo (org.). O cinema espetáculo. Lisboa: Edições 70, 1987.

BERARDO, R. “A mulher índia brasileira nas produções cinematográficas da década de 70”. In: MONTORO, Tânia e CALDAS, Ricardo. (org.). De olho na imagem. Brasília,2006

BOURDIEU, P. Language and Symbolic Power. Cambridge: Havard University Press, 1991.

BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismos e subversão de identidade. Rio de Janeiro:Ed. Civilização Brasileira, 2003.

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DERRIDA, J. La Escritura y La diferencia. Barcelona: Anthropos editorial Del hombre