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  Título
O som indireto de Vladimir Carvalho em O país de São Saruê.
Autor
Sérgio Puccini Soares
Resumo Expandido
A história do cinema documentário guarda estreita relação com a evolução das técnicas de captação e edição sonora. Prova maior disso encontramos no documentário direto, estilo todo impulsionado pela exploração de uma nova potencialidade: a captação do som em sincronia com a imagem feita através de gravadores magnéticos portáteis, mobilidade que propiciou o registro de uma “expressão de rua” e de vozes que até então não tinham sido “ouvidas” adequadamente pelo cinema documentário. No Brasil, o som direto é uma conquista gradual, muito em função de nossa dependência tecnológica para com os países mais avançados. A chegada do som direto ocorre em função de esforços localizados como o de órgãos oficiais, como o Seminário da Divisão de Difusão Cultural Itamaraty/UNESCO, 1962, que trás o documentarista sueco Arne Sucksdorff e um gravador Nagra entre os equipamentos, aliados a iniciativas individuais, como a do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, que faz estágio com os cineastas do documentário direto americano Albert e David Maysles. No entanto, a precariedade e a falta de acesso a uma tecnologia de ponta continua a marcar nosso documentário nas décadas seguintes. O país de São Saruê (1971), de Vladimir Carvalho vem a ser um exemplo de documentário em que a precariedade técnica de sua produção obrigará seus realizadores a buscar soluções criativas a fim de viabilizar seu projeto de filme. Marco do documentário brasileiro dos anos 70, o filme de Carvalho apresenta uma forma de tratamento sonoro que seu autor denominou como som indireto, um som assincrônico dominado por vozes sobrepostas às imagens. O som indireto de Carvalho se diferencia do som sobreposto de uma voz over (ou voz de Deus), comum do documentário clássico, por não pretender pontuar a imagem. São vozes colhidas em entrevistas e depoimentos que entram sobrepostas às imagens sem necessariamente comentar aquilo que vemos criando um contraponto entre imagem e som. Essa comunicação pretende analisar aspectos relacionados à tecnologia da época e conseqüências estéticas e discursivas da proposta de Vladimir Carvalho.
Bibliografia

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MATTOS, Carlos Alberto. Vladimir Carvalho, pedras na lua e pelejas no planalto. São Paulo: Imprensa Oficial, 2008.