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  Título
Avatar: Tecnologia, Natureza e seus mitos
Autor
Fernando S Vugman
Resumo Expandido
A presente comunicação discutirá o filme Avatar (2009), do diretor James Cameron, a partir de uma análise dos mitos aos quais recorre para sustentar sua narrativa. A discussão buscará demonstrar que duas de suas principais afirmações, a defesa da natureza contra a tecnologia e seu suposto posicionamento crítico à ação belicista dos EUA para garantir seu domínio cultural e econômico sobre o resto do mundo, se revelam contraditórias pelas próprias opções tecnológicas e de roteiro feitas pelo diretor. Em maior detalhe será discutido a origem da estrutura da mitologia fundadora dos EUA, seus heróis, vilões e contradições internas para, em seguida, analisar como essa estrutura se repete e onde ela é violada no filme de Cameron. Se argumentará que ao violentar o papel e a função convencional do herói americanos – conforme estruturado e definido a partir das narrativas de cativeiro que deram origem às narrativas mitológicas genuinamente estadunidenses – toda a coerência interna da história se desfaz, cobrando, por exemplo, o sacrifício de personagens importantes do ponto de vista das convenções míticas estabelecidas. Tendo como pano de fundo um olhar sobre a filmatografia hollywoodiana como um grande universo mitológico, argumentos serão apresentados para mostrar que Avatar necessita desesperadamente seduzir suas platéias com sua magia tecnológica para que não se perceba que o que se apresenta como uma tola e divertida história de amor é, na verdade um discurso intrinsecamente contraditório e ideologicamente conservador, no sentido de reafirmar a ideologia hegemônica do domínio da natureza e da hierarquização entre os seres humanos com base no seu domínio (e posse) da tecnologia.
Bibliografia

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