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  Título
O processo de criação de Lucrecia Martel
Autor
Natalia Christofoletti Barrenha
Resumo Expandido
O processo de produção de roteiro de Martel relaciona-se intimamente com a conversa. Em entrevistas, ela explica que, quando as pessoas conversam, as coisas se juntam de maneira caótica, e os objetivos são imprecisos – características que se refletem em suas narrativas. Segundo ela, "No processo da conversação há uma diluição das pessoas que conversam e uma diluição do tempo, que pode também ser condensado: as pessoas vão para o passado, futuro, se perdem na infância... A mutação e metamorfose permanentes da realidade, a impossibilidade de chegar a um objeto e a sensação de estar perdendo tempo... É tudo isso que me determina na minha criação, a estrutura da fala, da linguagem e da forma de conversar". Além disso, ela destaca o som como forte componente no seu processo de criação: "O som entra no meu trabalho na escrita. E antes disso. Ele permite a percepção visual. Estamos muito educados visualmente. A percepção sonora é mais selvagem em nós. O fato de eu usar elementos sonoros permite-me mais rapidamente criar essa ruptura na percepção. Há coisas que chegam na pós-produção, mas o som tem que estar comigo no momento da escrita e na rodagem. Nunca sei onde vou colocar a câmera; não tenho roteiro de imagem. Mas sei como fazer a banda de som".

Sendo assim, a partir de uma longa entrevista realizada com Martel em Buenos Aires em março/2010, pretende-se apresentar o som no processo criativo da cineasta, dando continuidade ao trabalho apresentado no encontro passado, no qual destacaram-se os elementos sonoros como componentes da narrativa e as relações entre estética sonora e produção de sentido no trabalho de Lucrecia.
Bibliografia

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