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  Título
A música de Rio Zona Norte - análise da dualidade presente na narrativ
Autor
Cintia Campolina de Onofre
Resumo Expandido
Este artigo demonstra um estudo sobre as músicas inseridas no filme Rio Zona Norte (1957) com direção de Nelson Pereira dos Santos, músicas originais de José Flores de Jesus, Zé Kéti e orquestrações e direção musical de Alexandre e Radamés Gnattali.

Radamés Gnattali nasceu em nasceu no dia 27 de janeiro de 1906 em Porto Alegre e faleceu no dia 3 de fevereiro de 1988. Atuou como pianista, arranjador, maestro, band leader, compositor erudito e popular. Radamés transitou entre o popular e o erudito e utilizou diversos estilos com competência e sem constrangimento. O músico destacou-se pela temática nacionalista, criando um estilo pessoal para arranjos.

Alexandre Gnattali é irmão de Radamés e foi também maestro, arranjador, pianista e compositor. Assim como o irmão, aprendeu a tocar piano bem cedo, com a mãe Adélia Gnattali. Também como o irmão, atuou na rádio Nacional entre 1940 e 1950, e trabalhou orquestrando canções para diversos artistas na época como Emilinha Borba, Edu da Gaita, Roberto Carlos e Grande Otelo. Alexandre também dirigiu grandes orquestras como a Odeon, Polydor, Continental, Todamerica e Columbia.

A maior produção de trilha para cinema composta por Gnattali foi na década de 50, são 36 filmes de ficção e em sua maioria, foram marcados com o aparecimento de canções orquestradas por ele. Entretanto, em Rio Zona Norte, essa característica não é confirmada. A opção foi contrária, a orquestração não comparece nas canções e isso torna um diferencial de outros filmes da mesma década. Quais os impactos da trilha musical inserida desta forma naquele período? A opção de Nelson Pereira dos Santos para inserção das canções desta forma foi por conta da semelhança com seu outro filme Rio 40 graus? As críticas sofridas sobre o falso neo-realismo presente no filme colaboraram para inserção da musica desta forma? Porque a escolha de sambas compostos por Zé Keti?

Outro aspecto que este trabalho analisa é o caráter dicotômico presente em Rio Zona Norte. A narrativa é toda construída por contraposição. Consecutivamente dois temas são contrapostos para diversos tópicos como por exemplo: a favela e a cidade; os ricos e os pobres; a musica orquestral e a musica sem tratamento; cultura popular e cultura erudita; músicos profissionais e músicos amadores; sambas orquestrados e sambas de raiz.

Pretende-se com esse estudo, compreender as características estéticas da época e verificar como o compositor e o diretor procederam para a inserção musical aliada à narrativa cinematográfica. A partir dessa premissa, temos como propósito entender a inclusão destas composições musicais no cenário da trilha sonora cinematográfica no Brasil.

Bibliografia

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