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  Título
O que é o cinema expandido? Mapeando estratégias e formatos.
Autor
Rita de Cassia Gomes Barbosa Lima
Resumo Expandido
As“novas formas cinema” vêm agenciando estratégias de criação e pensamento, até aqui denominadas como cinema expandido, uma espécie de território de experimentações, instável e provisório, a partir do qual outras formas de enredo, montagem e formas de representação / apresentação audiovisuais têm surgido e se afirmado em espaços como museus e centros internacionais de pesquisa avançada em arte e tecnologia.



Vivemos um período semelhante àquele vivido pelo primeiro cinema (1895/1910), onde a busca intensa de novos usos para as recém criadas tecnologias da imagem em movimento foram criando formas de capturar a atenção do público com formatos e lógicas narrativas diversas, dando lugar à criação do cinema como linguagem e estéticas. Ao final do período de experimentação do primeiro cinema, começa a se estabilizar um padrão narrativo e tecnológico do cinema que durou mais de cem anos, e segue como como modelo industrial até nossos dias, mas que começa outra vez a se modificar com as imagens eletrônicas computadorizadas e mais recentemente com as imagens digitais. Por isso o período atual é importante: é aqui e agora que essas “novas formas cinema” estão inventando o cinema do futuro, que se desdobra em velocidade extrema em experimentações e invenções envolvendo cinema e artes plásticas, videogames interativos e novas formas narrativas com sistemas de visualização e imersão em 3D já disponíveis nas salas tradicionais de cinema e também em imensos “domos” ou telas panorâmicas presentes em museus e instalações em eventos de escala nacional e internacional.



Na exposição O Futuro do Cinema - o Imaginário Cinematográfico depois do Filme temos uma mostra significativa dessas experimentações em ambientes digitais interativos multimidiáticos. O cinema do futuro e as pesquisas nessa área, segundo a curadoria do evento apontam para uma convergência entre o vídeo, filme, computador, e instalações na web antecipando novas técnicas e formas de expressão cinemáticos. O futuro do cinema é a convergência do cinema, TV e da web em ambientes com multi-telas, projeções panorâmicas, multiusuários e configurações on-line. Um outro foco foram os trabalhos que exploraram designs interativos em narrativas de conteúdo não lineares. Esses novos contextos de ambientes digitais colocam o cinema como um espaço narrativo imersivo, onde o espectador / ator interativo assume o papel de câmera e de editor ao mesmo tempo. São novas questões e novas utilizações dos códigos e dos materiais de expressão do cinema, agora em novo contexto. Agora a câmera presente em um software imerge o espectador em uma nova cena. O domínio digital é acima de tudo o domínio das mil modalidades de interações.



No Brasil, em dois momentos diversos tivemos a exposição Movimentos Improváveis – o efeito cinema na arte contemporânea (CCBB/2003), com curadoria de Ivana Bentes e Philippe Dubois, e, no final do ano de 2008, aconteceu a exposição Cinema SIM – narrativas e projeções com curadoria de Roberto Cruz, realizado pelo Itaú Cultural com a presença de artistas nacionais e internacionais, aproximando as relações arte e tecnologia do imaginário do cinema e das novas formas em que vem se organizando para produzir novos impactos na nossa percepção.



Cada uma das exposições traz questionamentos diversos quanto ao uso da tecnologia e estratégias criativas usadas pelos artistas e curadores para pensar estratégias e dispositivos das "novas formas cinema". Nosso objetivo é produzir um painel das estratégias criativas e formas de apresentação / representação dos trabalhos apresentados nessas exposições, todos nomeados nesse amplo campo do cinema expandido, procurando entender e questionar formulações e conceitos de operação e entendimento dessas novas “formas cinema” dentro do próprio campo do cinema expandido, que hora é chamado cinema de museu, cinema interativo, cinema do dispositivo, etc.



Bibliografia

• ESTRATÉGIAS CRIATIVAS DO CINEMA EXPANDIDO:

SHAW & WEIBEL (orgs), Future Cinema – the cinematic imaginary after film. Cambridge: MIT Press, 2003.

BENTES & DUBOIS (orgs). Movimentos Improváveis – o efeito cinema na arte contemporânea. Rio de Janeiro: CCBB, 2003.

CRUZ, Roberto (org). Cinema Sim – narrativas e projeções. São Paulo: Itaú Cultural, 2008.



• IMPACTOS NA ORGANIZAÇÃO NARRATIVA A PARTIR DO CINEMA EXPANDIDO:

MURRAY, Janet. Hamlet no Holodeck – o futuro da narrativa no ciberespaço. São Paulo: Itaú Cultural & Ed. UNESP, 2003.

MANOVICH, Lev. The Language of New Media.Cambridge, MIT, 2001.

LEHMANN, Hans-Thiers. Teatro Pós-dramático. São Paulo, Cosac Naify, 2007.



• TEXTOS SOBRE IMPACTOS NA CULTURA X TECNOLOGIA:

CRIMP, Douglas. Sobre as Ruínas do Museu. São Paulo, Martins Fontes, 2005.

BELTING, Hans. O Fim da História da Arte. São Paulo: Cosac Naify, 2006.

SENNETT, Richard. O Artífice. Rio de Janeiro, Record, 2009.