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  Título
AES+F: travelling pós-soviético entre fronteiras
Autor
Neide Jallageas
Resumo Expandido
Essa proposta busca contribuir com a discussão almejada pelo seminário temático Cinema, transculturalidade, globalização. Para tanto pauta-se, principalmente por uma das perguntas colocadas pelos organizadores do seminário: É possível detectar processos singularizantes capazes de funcionar – no cinema, na videoarte, na Internet – como resistência num contexto de homogeneização?



Sem ter a pretensão de responder conclusivamente a essa questão assume-se inicialmente que é possível esboçar, através dessa visada, a análise do que seria um desses processos singularizantes no cinema e na videoarte contemporânea, que funcionariam como resistência em um contexto homogeneizante.



Toma-se como eixo paradigmático (no sentido de que seja possível vislumbrar paradigmas), a atuação do AES+F, coletivo artístico russo baseado em Moscou desde 1987, observando-se particularmente a sua produção audiovisual. Caracterizado como sendo um grupo de artistas “que nasceram na União Soviética” (afirmação que lhes é cara enquanto estratégia artística e política), esse coletivo assenta seus procedimentos criativos em três vértices: na tradição cultural russa (aquela que privilegia o conhecimento universal), na mordacidade e irreverência das vanguardas e no vigor crítico inerente aos artistas underground do período soviético. E, talvez o que seja mais paradoxal, lançam mão dessa condição tríplice, aparentemente ortodoxa, para problematizar os discursos culturais e seus respectivos territórios (norte-americano, árabe e russo, por exemplo) enquanto conjuntos significantes modelados pelos meios de comunicação de massa. E o fazem com grande apuro técnico, articulando (e ironizando) os mais recentes recursos tecnológicos.



A hipótese de trabalho é que o coletivo AES+F distingue-se como um possível processo de resistência porque mantém e alimenta sua matriz cultural de forma exógena, expandindo as fronteiras da problemática russa pós-soviética para questionar contundentemente as políticas globais contemporâneas.
Bibliografia

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