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  Título
Cinema (sem) Lágrimas - a co-produção internacional como alternativa
Autor
Hadija Chalupe da Silva
Resumo Expandido
As mudanças na ordem do cinema brasileiro foram retomadas com a criação das leis de incentivo e, posteriormente, da ANCINE. Esse momento de transição foi marcado pela elaboração de políticas públicas culturais, com base em mecanismos de renúncia fiscal permitindo que empresas, públicas ou privadas, se tornassem “investidoras” ou, “patrocinadoras” da produção audiovisual brasileira. A partir dessas novas formas de incentivo proporcionou-se ao mercado audiovisual brasileiro independente um novo impulso e um novo alicerce para a formação de uma indústria cinematográfica. A curva da produção e do número de espectadores foi crescendo gradativamente com o passar dos anos. Surgiram novas empresas interessadas na sinergia entre TV e cinema, parcerias de co-produções nacionais com empresas estrangeiras foram retomadas, foram criadas novas empresas distribuidoras – as chamadas independentes – num mercado controlado predominantemente pelas majors norte-americanas, além do reordenamento do parque exibidor com a inserção do multiplex e de salas especializadas na exibição de “filmes de arte”.

É nesse contexto de desenvolvimento e crescimento da atividade cinematográfica brasileira que reaparece uma modalidade de realização de filmes, denominada como co-produção. Essa forma particular de produção cinematográfica se constituiu através de um sistema de criação do filme em conjunto entre duas ou mais organizações. Nesse caso particular iremos investigar as produções brasileiras realizadas em regime de cooperação entre empresas de diferentes países na chamada co-produção internacional.

Pretendemos investigar como esse “novo” modelo de negócio foi (re)estabelecido com o intento de potencializar o desenvolvimento (divisão de despesas de produção e aumento de canais de financiamento) e a inserção da obra fílmica nas diversas janelas de exibição e nos diversos territórios nacionais. Devemos ter em mente que as co-produções internacionais não são novas práticas de relacionamento de produção (por isso o uso de aspas), mas foram métodos de negócios tradicionais que foram resgatados e revisitados a partir das novas diretrizes do mercado global.

Gostaríamos de examinar são as razões políticas de cada país ao estimular o crescimento das co-produções internacionais. Veremos que na América Latina a maioria dos acordos foi estabelecida entre antigas colônias e suas metrópoles (Espanha e Portugal).

O outro foco da pesquisa será concentrado em como as empresas produtoras envolvidas (e conjunto diretor/produtor[es]) irão trabalhar as questões “nacionais” no momento da criação e da realização dos filmes, e como as determinações burocráticas, legislativas e de produção irão direcionar (e influenciar) as formas de construção da narrativa (mise-en-scène) e até da escolha das locações, dos atores e da equipe técnica.

Para conseguirmos ilustrar com maior clareza como essas produções são inseridas no mercado de cinema brasileiro e internacional, iremos trabalhar com o filme Cinema de Lágrimas de Nelson Pereira dos Santos, lançado em 1995. O filme foi realizado em parceria entre Brasil, Inglaterra e México. Foi um dos primeiros filmes da retomada a ter sua produção viabilizada através de parcerias internacionais.

A produção integrou o projeto "O Centenário do Cinema", junto com outras 18 produções internacionais coordenadas pelo British Film Institute. Cinema de Lágrimas conta a história de um diretor de teatro em busca do último filme (um melodrama mexicano) visto por sua mãe após cometer um suicídio. O argumento do filme teve como base o livro Cinema de Lágrimas na América Latina, da pesquisadora Sylvia Oroz, que aborda as produções de filmes melodramáticos realizados no México entre as décadas de 30 e 50.

Pretendemos analisar como as produtoras buscam essas parcerias internacionais, como elas lidam com as especificidades burocráticas e legais de cada país, sem que elas afetem negativamente no desenvolvimento dos projetos de longa-metragem.
Bibliografia

CAETANO, Daniel et alii. 1995 - 2005: Histórico de uma década. In: CAETANO, Daniel (org) Cinema Brasileiro 1995 – 2005, ensaios sobre uma década, Rio de Janeiro: Azougue Editorial e Revista Contracampo, 2005.

CANCLINI, Néstor García. Globalizar-se ou Defender a Identidade: como escapar dessa opção. A Globalização Imaginada. São Paulo: Iluminuras, 2003.

GETINO, Otávio. As cinematografias da América Latina e do Caribe: indústria produção e mercados. In: MELEIRO, Alessandra (org.). Cinema no mundo – indústria política e mercado. Vol II. São Paulo: Escrituras e Iniciativa Cultural, 2007.

_______. Cuáles son las particularidades económicas de los mercados de las industrias culturales. Bolívia: Convenio Andres Mello, 2004.

MELEIRO, Alessandra (org). Cinema no mundo–indústria política e mercado.(América Latina) Vol II. São Paulo: Escrituras e Iniciativa Cultural, 2007.

Webgrafia

Agência Nac. do Cinema em:

Minist. das Relações Exteriores em: