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  Título
Fatores mercadológicos nos gêneros exibidos no Cine Carlos Gomes
Autor
Gustavo Faraon Leite
Resumo Expandido
A presente proposta de apresentação tem como meta identificar alguns dos fatores mercadológicos que exerceram influência na alteração dos gêneros cinematográficos programados no Cine Theatro Carlos Gomes entre 1971 e 2002. O trabalho é parte da pesquisa de Mestrado realizada pelo autor no PPGCOM – UFRGS, que se debruça sobre o ciclo descendente do cinema de rua em Porto Alegre, tendo como um de seus pilares fundamentais as questões relativas às influências mercadológicas então em jogo.

O Cine Theatro Carlos Gomes foi escolhido por conta de sua trajetória, que encontra paralelo em diversas outras salas de exibição espalhadas pelo Brasil. Inaugurado em 1917, foi um dos primeiros cinemas de Porto Alegre. Quando trocou de endereço, em 1923, possuia mais de 2 mil lugares, e contava com plateia, mezanino, camarotes e balcões. Viveu seu apogeu durante a década de 1920, mas depois sempre foi um cinema considerado popular. Até mesmo por se configurar em um cine-teatro, além dos filmes, recebia espetáculos como montagens teatrais, números musicais, de mágicas, ilusionistas, malabaristas e companhias de revista, entre outras atrações de natureza presencial, sobretudo nos seus primeiros anos. Em 1971, depois de certa decadência, o cinema trocou de controlador e ganhou uma ampla reforma que modificou toda sua estrutura. Este é o período a partir do qual a presente proposta de apresentação volta sua atenção. De 1971 até 2002, quando encerrou suas atividades, o cinema viveu uma época áurea, só comparada ao período de inauguração, e depois foi se modificando gradualmente até ter que fechar suas portas.

Nos 32 anos que compreendem o universo da pesquisa, houve grandes mudanças dos gêneros cinematográficos ofertados na programação do Cine Theatro Carlos Gomes. Chegaram a ser programados no período reprises de grandes lançamentos (estes independiam de gênero), filmes de faroeste – ou westerns –, tanto lançamentos no Brasil quanto reprises de fitas mais antigas, filmes de artes marciais e, por fim, filmes pornográficos (primeiro os softocore, de apelo mais erótico e de conteúdo sexualmente sugestivo, e depois os hardcore, onde o conteúdo sexual é explícito).

Entre os diversos aspectos mercadológicos observados na atividade durante o intervalo pesquisado, sobressaem-se os seguintes: 1) O Cine Theatro Carlos Gomes jamais trabalhou com contrato de exclusividade com nenhuma distribuidora, o que era praxe até a década de 1980, e tal escolha acarretou em diversos reflexos na programação ofertada pelo cinema; 2) O cinema foi, por alguns anos, a sala de maior média anual de público de Porto Alegre, e chegou a ser a terceira do Brasil, o que lhe conferiu poder de barganha junto às distribuidoras e ajudou a manter a estratégia de não-exclusividade com os distribuidores; 3) Por questões econômicas e de oferta de títulos, a tecnologia de exbição foi modificada em meados da década de 1990, passando do tradicional filme em 35 milímetros para o projetor de vídeo eletrônico. A medida, por um lado, barateou a aquisição de filmes – comprados em lotes e por preços fixos e não mais em percentuais de bilheteria – e aumentou a oferta de títulos pornográficos, uma vez que as cópias em película, muito mais caras, escasseavam, mas por outro lado acabou restringindo a programação; 4) Diversas modalidades de ingresso ao cinema foram empregadas: o ticket cobrado por um filme; as sessões duplas, nas quais era permitido ao espectador, pagando apenas uma entrada, permanecer durante duas sessões no interior da sala, visto que o cinema mantinha dois filmes intercalados na programação; e a permanência liberada por tempo indeterminado na sala de exibição perante o pagamento de ticket único, modalidade adotada sobretudo nos últimos anos, nos quais os filmes pornográficos dominaram a programação; 5) Os diversos gêneros programados no Carlos Gomes sempre foram acompanhados de iniciativas semelhantes nos cinemas concorrentes, e nunca se configuraram iniciativas isoladas.

Bibliografia

FARAON, Gustavo. Entrevista com Hiron Cardoso Goidanich em 18 de março de 2010.



FARAON, Gustavo. Entrevista com Guilherme Leite em 20 de março de 2010.



GASTAL, Susana. Salas de cinema: cenários porto-alegrenses. Porto Alegre: Unidade Editorial Porto Alegre, 1999.



GOELLNER, Rene Vilodre. As telas da cidade: um estudo sobre a distribuição cinematográfica em Porto Alegre. Porto Alegre: UFRGS, 2000.



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SILVEIRA NETO, Olavo Amaral da. Cinemas de rua em Porto Alegre: do Recreio Ideal (1908) ao Açores (1974). Porto Alegre: UFRGS, 2001.



STEYER, Fábio Augusto. Cinema, imprensa e sociedade em Porto Alegre (1896 – 1930). Porto Alegre: EDIPUCRS, 2001.