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  Título
OBRAS FILMICAS ENTRE ENTRE O ATIVISMO E A PERFORMANCE
Autor
Sylvia Beatriz Bezerra Furtado
Resumo Expandido
O artigo tem por objetivo analisar obras fílmicas que se encontram entre o ativismo e a performance, entre elas ‘Barbed Hula’, (2001), da israelita Sigalit Landau e “Mixed Behavior”(2003), do albanês Anri Sala, além de um outro trabalho, de nossa autoria, intitulado “Extermínio”(2009). Nosso objetivo é apontar este diálogo entre artes visuais, o ativismo e a performance como uma campo propício a reinvenção de narrativas filmicas.

A questão que nos parece central nesse diálogo entre esses campos artísticos pode ser tomada, no campo teórico, pela inelutável cisão do ver, tal como está posta essa discussão em Didi-Huberman. Como falar da perda, da destruição, da guerra e da degradação dos corpos, objetos, de uma maneira ou de outra, dessas obras, sem que compreendamos o que elas nos dão a ver e, principalmente, como elas se instauram em fronteiras fluidas, no entre dos vazios e das impossibilidades de as narrar.

As obras que tomamos para análise estao entre diferentes regimes de imagem, cinema do real, documentário, performance, ficção. Nessa perspectiva, vemos em Sigalit Landau, uma obra emblemática. Ao brincar com um bambolê feito de arame farpado, aparece todo uma profusao de imagens. O arame farpado como uma figura de proteção e de apropriação territorial, que fere e marca seu corpo. Tomado em uma zona deserta ao sul de Tel-Aviv, o filme se opõe e faz resistência à violência e a opressão, e se dá em uma fronteira natural que representa o mar.

Pensamos, inicialmente, essas obras fílmicas como resultantes de um modo específico das artes plásticas de fazer documentários. Hoje, não estamos muito seguras da adequação dessa proposição. Em meio a um movimento de deliberada negação das fronteiras do ficcional e do documental, não podemos nos restringir à adequação dessas obras a um modelo determinado. Sabemos que, historicamente, as artes, em especial, a video-arte, sempre foram resistente aos limites das especificidades, às narrativas estáveis, as sintaxes lineares e, também, às fronteiras entre os diferentes meios, linguagens e formas artísticas (tv, cinema, fotografia, video, pintura, performance, etc). Na video-arte esses deslocamentos podem ser pensados como forma de potencialização da trajetória que foi iniciada pelas vanguardas históricas, e mais especialmente do cinema experimental. No entanto, não nos parece que essas produções confirmem esse percurso.

Nos parece mais adequado apontar certas tendências nas artes visuais em incorporar a ação, em especial as performances, com a participação ativas do próprio artista, à obra, como ato de resistência e como ativismo, sem no entanto, trazer as marcas de um tipo de engajamento político de outros períodos. Trata-se de uma estética muito mais próxima dos movimentos minimalistas, das imagens dotadas da forma do vazio, onde subsiste o que Didi-Huberman chama de o homem da tautologia e o do exercício da crença. Nessa tensão entre essses dois conceitos estéticos que tratam da cisao do olhar. Se a arte está entre essa tensão do que se pode ver e no que nos ver, entre enunciados tautológicos e a crença no olhar, então, é preciso pensar o que essas obram no abrem ao olhar, como força de um tipo de presença específica.

Bibliografia

Bibliografia:

Baque, D.: Pour un nouvel art politique. De l’art contemporain au documentaire. Paris, Flammarion,

Bellour, R.: “La querelle des dispositifs”. In Artpress n 262, novembro 2000. Blumlinger, C.: “Harun Farocki”: a arte do possível, in Kátia Maciel (org.) Transcinemas. Rio de Janeiro: Contracapa, 2009, pgs 231-242.

Dossier Accrocher du cinema. Artpress 255. Paris: março 2000 (versão inglês e francês)

Dubois, P. Cinema, Vídeo, Godard. São Paulo: Cosac & Naif, 2004.

Didi-Huberman, G. O que vemos, o que nos olha, Editora 34, SP, 1998.

Maciel, K. (org.). Transcinemas. Rio de Janeiro: Contra-capa, 2009.

Leighton, T. (org.). Art and the moving image. Londres: Tate Modern, 2008.

Paini, D.: Le temps exposé. Paris: Cahiers du Cinema, 2002.

Rancière, J. La Fable Cinémoatographique, Seuil, Paris, 2001.