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  Título
Chicanos, Fronteiras e Transgessões
Autor
Anelise Reich Corseuil
Resumo Expandido
O trabalho analisa o filme de Ken Loach "Pão e Rosas" a partir de sua formas de representar as fronteiras culturais e geopolíticas entre o México e os EUA, possibilitando um debate com outras produções sobre o tema, tais como o documentário "Frontierland" de Jesse Lerner e Ruben Ortiz (1995); o doucmenta´rio "Gringo in mañnaland" (1995), de Dee Dee Haleck, e o Filme "Estrela Solitária", John Sayles (1996). A partir de uma perspectiva teórica sobre hibridismo, multiculturalismo e globalização, apresento uma análise dos filmes e suas visões diferenciadas sobre processos de aculturação e hibridização de Chicanos e possíveis formas de representação destas relações, tanto ficcional como documental. Os filmes, na sua maioria realizados no final da década de 80 e ao longo da década de 90, possiblitaram uma análise dos papéis desempenhados por grupos minoritários,questionando a história oficial na medida em que o papel histórico das minorias é contraposto às narrativas da nação. A explicitação de um sistema hierárquico e de dominação de certas raças questiona o mito da nação norte-americano como ideal hegemônico e igualitário, mostrando que a construção de identidades culturais se dá também em relação a oposições culturais e raciais, em um processo que está longe de ser classificado como idealista ou fraternal. Os documentários recolocam a questão da identidade cultural mexicana a partir da apropriação de imagens e narrativas que se afastam de qualquer realismo, enquanto que o filme ficcional de Ken Loach reitera o realismo em um filme ficcional não menos instigante em sua discussão sobre fronteiras culturais e identidades. Neste contexto de produção cultural, o multiculturalismo, conforme proposto por Robert Stam (1994), "não tem em si uma essência, mas refere-se a um debate. Considerando-se suas ambigüidades, pode-se colocar o multiculturalismo no contexto de um debate radical sobre relações de poder, como um chamado para questões mais substanciais e recíprocas de diferentes comunidades." (pág. 47).

A narrativa dos filmes, questionadoras dos discursos vinculados à formação de uma identidade latina, nos mostram que identidades culturais estão em constante processo de formação e que se dão, ao mesmo tempo, às margens e no centro de uma cultura hegemônica, deslocando e parodiando os discursos anglo-americanos em construção.



Bibliografia

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