ISBN: 978-85-63552-06-8
| Título | Fomento e Demandas no Cinema Pernambucano: uma possível indústria. |
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| Autor | Mannuela Ramos da Costa |
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| Resumo Expandido | Nas primeiras páginas de Pós-modernismo – a lógica cultural do Capitalismo Tardio, Jameson já nos orienta num movimento de análise cultural sob os holofotes da Economia e da Política. Com efeito, sua afirmação sobre a impossibilidade de “pensar o ato cultural” nos dias de hoje “fora do ser massivo do capital” (Jameson, 1997, p.74) encontra ressonância justamente nas teorias e metodologias que adotam o contexto sociopolítico e econômico como premissa para análise da indústria cinematográfica e seus efeitos mais diretos sobre a produção e a demanda.
Assim como nos anos 1990 a música parecia marcar a identidade pernambucana na mídia, povoando conversas e estudos acadêmicos como um fenômeno de demarcação da produção marginal (ao mesmo tempo globalizada), hoje o cinema parece ter assumido este papel de representatividade para o Estado. As obras cinematográficas de longa-metragem pernambucanas, que remontam ao inaugural Baile Perfumado (1997, Dir. Paulo Caldas e Lírio Ferreira) e chegam ao intrigante Viajo Porque Preciso Volto Porque Te Amo (2009, Dir. Marcelo Gomes e Karin Aimouz), passam também por uma nova e rica, em termos estéticos e narrativos, safra documental. A sua maneira, elas apontam para uma mudança na lógica de produção independente e sua relação com o Governo Estadual e revelam peculiaridades, pois tanto se abrem ao experimentalismo quanto a recorrências. Por sua vez, o Governo de Pernambuco atua através da Fundarpe (Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, ligada à Secretaria de Educação), que é responsável pelas ações de preservação, fomento e promoção da cultura regional. Além de intervenção direta (representada por ações, realizadas integralmente – da concepção à execução – pela Gestão), a Fundarpe atua através do Funcultura (Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura). Por meio de edital público de concorrência, o Fundo patrocina as ações propostas pelos Produtores Culturais Independentes nas mais diversas áreas e linguagens da cultura. Até o ano de 2006, o Funcultura tinha apenas uma edição anual, concentrando todas as áreas culturais (literatura, artes cênicas – dança e circo – artes integradas, artes gráficas, plásticas, música, cultura popular, patrimônio e fotografia, cinema e vídeo), quando em 2007, houve uma separação da área de audiovisual, que ganhou uma edição própria da concorrência, com um montante de recursos na ordem de R$ 2,1 milhões, representando um aumento de mais de 100% em relação à edição anterior. Ao longo dos anos, as subcategorias de audiovisual se diversificaram e contemplam praticamente todos os formatos e elos da cadeia (longas e curtas-metragem, produtos para televisão, difusão, pesquisa e formação e desenvolvimento do cineclubismo). O montante destinado a área de audiovisual na última edição representa um crescimento de quase 600% no investimento inicial do fomento por linguagem e contrasta com o valor destinado a todas as outras áreas, que ficaram na ordem dos quinze milhões de reais para as demais 11 áreas culturais. A questão que se impõe é analisar as motivações do atual Governo Estadual para, em quatro anos, implementar esta forma de intervenção. O Estado assume assim seu papel de incentivador e regulador da política pública (BENHAMOU, 2007) e, cabe dizer, de maneira inédita no Estado. Ao mesmo tempo, o número de operadores no mercado experimentou semelhante crescimento, visto que passou de 370 produtores cadastrados no ano de 2007 para mais de 1500 produtores em 2009. Posto isto, o que se propõe é uma análise do mercado cinematográfico de Pernambuco, focada na relação entre os objetivos traçados pela Política Cultural do Estado (fomento) e operadores independentes (demanda de produção), observando, entre outros aspectos, se o crescimento numerário dos investimentos representou desenvolvimento de mercado e diversificação da produção, com base nos longas-metragens beneficiados pelo Funcultura e Fomento do Audiovisual entre os anos de 2007 e 2010. |
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| Bibliografia | BENHAMOU, Françoise. A Economia da Cultura. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2007. pp. 15-52; 109-184.
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