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  Título
A diversidade cultural/sexual no filme Elvis e Madona
Autor
Wilton Garcia
Resumo Expandido
O filme Elvis e Madona (2009), de Marcelo Lafitte, abre espaço para o debate crítico sobre a diversidade cultural/sexual, sobretudo quando se pensa o contexto brasileiro atual. Nesta película, registra-se uma riqueza de personagens e tramas que marcam a história do cinema brasileiro e apontam afetividades, sensualidades e eróticas, etc. Os detalhes criativos somam a qualidade inventiva de se pensar cinema no país, em especial diante dessa temática – a diversidade.

Eminentemente, o modo de expor a diversidade no cinema passa pelo corpo. No Brasil, há uma proposição emergente dessa diversidade, a qual – como paradoxo - se mostra embrionária. Evidente que não se trata de filmes engajados, propriamente militantes; embora possam circunscrever diferentes formas de investigar, através do cinema e/ou de filmes, a diversidade sexual/cultural no país.

O tema da diversidade discutido, aqui, amplia o modo de expor alteridade e diferença no combate ao preconceito à discriminação a partir do cinema brasileiro. Ou seja, a manifestação no cinema com um compromisso contra a homofobia. Com isso, entrecruzam-se fatos verídicos com ficção em narrativas cinematográficas envolventes. E, desse modo, o papel do cinema é atualizar/inovar as temáticas na agenda da sociedade ao tomar partido pela diversidade sexual/cultural.

A metodologia é descrever cenas a partir dos estudos de cinema. Experiência, imagem e subjetividade elencam-se como categorias, inscritas ao longo desta investigação. Assim, estudos contemporâneos do cinema, estrategicamente, convocam uma abordagem teórico-metodológica.

É pensar alguns aspectos contemporâneos para além de questões técnicas que tangem a aparelhagem cinematográfica dos suportes e dispositivos, cujo pano das investigações pondera as representações fílmicas acerca dos instrumentais discursivos. Em seu livro A significação no cinema (1972), Christian Metz destaca, de um lado, sobre o discurso fílmico que caracteriza o fato fílmico apresentando-se como o produto final - a obra em sua expressão exterior. Por outro, o fato cinematográfico deve ser considerado como a realização dos bastidores do cinema: o serviço da pré-produção, produção, materiais utilizados para filmagens, etc - a obra em sua expressão interior.

Neste caso, há dois movimentos para ressaltar aspectos socioculturais e políticos:

Do ponto de vista das oportunidades, há pouco investimento, bem como baixa predisposição de cineastas para lidar com o tema. Poucas empresas patrocinam temáticas com essa natureza de discurso, o que dificulta uma ampliação, e melhor destaque, dessa cultura queer no cinema nacional.

Do ponto de vista político-ideológico, trava-se um misto de visibilidade e ações afirmativas, dentro do contexto cinematográfico em um viés identitário, sociocultural e/ou político. A possibilidade de inscrição queer nesse contexto ajuda a refletir sobre os caminhos do cinema contemporâneo, em particular no Brasil.

As diferentes possibilidades de ver/ler criticamente essa película apontam desafios conceituais – do ponto de vista dos estudos de cinema – para pesquisar o filme contemporâneo capaz de (des)envolver um diálogo crescente e efervescente com o espectador, (XAVIER, 2003). Ao assumir o traço coeso de identificação entre personagem e público, a narrativa explora instantes significativos (emblemáticos, simbólicos) que (re)configuram enlaces diegésicos.

Bibliografia

CANCLINI, Nestor Garcia. Leitores, espectadores e internautas. Trad. de Ana Goldberg. São Paulo: Iluminuras, 2008.

FOSTER, David William. Queer issues in contemporary latin american cinema. Austin: University of Texas Press, 2003.

METZ, Cristian. A significação no cinema. Trad. de Jean-Claude Bernadet. São Paulo, Editora Perspectiva, 1972.

STAM, Robert. Introdução à teoria do cinema. Trad. de Fernando Mascarello. Campinas: Papirus, 2003.

XAVIER, Ismail. O olhar e a cena – Melodrama, Hollywood, Cinema Novo, Nelson Rodrigues. São Paulo: Cosac&Naify, 2003.