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  Título
Música e Cinema: expansão teórica das melodias não ouvidas.
Autor
Suzana Reck Miranda
Resumo Expandido
Marco nos estudos sobre música e cinema, o livro Unheard Melodies (1987), de Claudia Gorbman, apresenta uma discussão acadêmica rigorosa sobre o uso tradicional da música no cinema narrativo clássico. Na opinião da autora, ao favorecer os elementos narrativos do filme, este modelo faz com que a música permaneça a maior parte do tempo “transparente” e imperceptível para o espectador. Os desdobramentos de seus postulados são marcantes em diversos autores como, por exemplo, Caryl Flinn, bem como despertaram reações críticas, entre as quais figuram a de Kathryn Kalinak e de Jeff Smith, expostas em comunicação no XIII Encontro da Socine.



Dando continuidade ao estudo sobre o impacto do Unheard Melodies, esta apresentação abordará uma outra face da crítica de Jeff Smith à Gorbman, ligada ao uso da música popular no cinema, e destacará o enfoque de Anahid Kassabian sobre a música no cinema Hollywoodiano atual. Ambos os autores não priorizam apenas as práticas musicais da chamada “época de ouro”, rumando em direção ao uso da música popular no cinema, seja como idioma estilístico de composições originais ou em trilhas musicais formadas por compilações de canções pré-existentes.



Smith leva em conta a pressão do mercado e da indústria na conformação do estilo musical de compositores hollywoodianos das décadas de 50 e 60, que notadamente acoplam elementos da música popular em suas composições. Antes, introduz o tema levantando a interação entre a música popular e os filmes desde o cinema silencioso até a “época de ouro”, o que o leva a contra-argumentar a noção de “música inaudível” de Gorbman.



Já Kassabian expõe que os filmes Hollywoodianos recentes apresentam um novo conjunto de questões musicais - que vão além da forma como operam nos sistemas narrativos do filme ao provocarem identificações complexas, permeadas por referências sociais, culturais e políticas. Afirma que há pouca referência à música na literatura sobre o modo como o cinema engaja o espectador em processos de identificação e apresenta as noções de “identidade assimilada” e de “identidade associada” para explicar sua abordagem sobre a relação música/cinema. Ao defender que diferentes composições condicionam diferentes processos de identificação, inclui em suas análises as práticas recentes que reproduzem o modelo musical da “época de ouro” e, desta forma, re-elabora temas caros ao Unheard Melodies de Gorbman.



Por fim, os apontamentos teóricos expostos serão contextualizados a partir do modo como os postulados foram estruturados, com destaque ao objeto de análise escolhido e ao tipo de diálogo estabelecido com o campo a Musicologia e da Teoria do Cinema.



Bibliografia

GORBMAN, Claudia. Unheard Melodies - Narrative Film Music. Bloomington: Indiana University Press, 1987.

KASSABIAN, Anahid. Hearing Film – Tracking Identifications in Contemporary Hollywood Film Music. New York/London: Routtledge, 2001.

SMITH, Jeff. The Sounds of Commerce: Marketing Popular Film Music. New York: Columbia University Press, 1998.

___________ “That Money-Making “Moon River” Sound: Thematic Organization and Orchestration in the film music of Henry Mancini” in: NEUMEYER, D. et al. (orgs). Music and Cinema. Hanover/London: Wesleyan University Press, 2000.