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  Título
Cinema Português; os anos Gulbenkian
Autor
Leandro José Luz Riodades de Mendonça
Resumo Expandido
É recorrente a assertiva de que os anos Gulbenkian são de especial importância para o entendimento da história do cinema português. Por esta razão a presente proposta se propõe a discutir, dentro do trajeto temporal destes anos, a maneira como foram produzidos e recebidos os filmes portugueses. Como é sabido, apesar da brochura de João Bénard da Costa, restam ainda muitas lacunas a serem preenchidas principalmente no que tange a “pré-história” deste anos que se iniciariam, latu sensu, em 1961. Neste período em especial temos a transição entre uma produção fílmica que gozava de sucesso de público nos anos 40 para, com a queda de produção dos anos 50, passar a ser financiada e produzida de maneira radicalmente diferente. Este sucesso de público não foi, entretanto acompanhado por uma recepção crítica e intelectual que firmasse o cinema português dos anos 40 como arte.

O movimento do Novo Cinema Português tem suas raízes numa questão temática onde “o imaginário social dos novos cineastas deixa de ser o ‘pátio das cantigas’ e passam a ser as novas avenidas de Lisboa” . Com isso, a primeira fase do Novo Cinema Português teve grande expectativa sobre adesão do público, apesar das condições insuficientes de produção . Assim, os integrantes do movimento contavam “um pouco excessivamente com a existência de um público esclarecido” que não compareceu aos cinemas. Outra explicação para este insucesso pode estar na atuação das distribuidoras e dos exibidores junto com efeitos nefastos da censura do Salazarismo. Essas são algumas das questões que a análise aqui proposta pretende explorar.

Pretende-se, especificamente, analisar uma parte da produção bibliográfica pesquisa sobre cinema novo português emanada dos novos pesquisadores que hoje escrevem sobre o tema. Esses novos textos partem de fontes de pesquisa que se tornaram disponíveis recentemente e podem, exatamente por esta novidade, iluminar muitos pontos antes obscuros ou impossíveis de analisar. Para tanto, aprofundarei a análise bibliográfica sobre o tema e, junto a isso, analisarei documentação recentemente recolhida junto à própria Fundação Gulbenkian. Também acredito ser possível uma abordagem sobre um conjunto de documentos atinentes ao período sobre o mercado de cinema português que elucidam de maneira original o funcionamento e a recepção do cinema português na época. Outra questão a ser observada é a trajetória dos meios de financiamento a partir dos anos 60 e suas relações de continuidade, através do CPC – Centro Português de Cinema, com o financiamento posta a disposição dos cineastas pela Fundação Gulbenkian. Em outras palavras, pretende-se dialogar com os estudos de cinema feitos em Portugal bem como buscar trabalhar fontes primarias da história do cinema português que estavam sob a guarda da Fundação Gulbenkian e da Torre do Tombo nos arquivos do SNI.

Bibliografia

Cinema Português: Anos Gulbenkian, João Bénard da Costa, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2007

Estudos do Século XX, No 7, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2009

Os filhos bastardos. Afirmação e reconhecimento do Novo Cinema Português - Tese de doutorado - Paulo Cunha, 2005