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  Título
As personagens afro-brasileiras nos filmes de Glauber Rocha.
Autor
José Umbelino de Sousa Pinheiro Brasil
Resumo Expandido
Qual o sentido da representação afro-brasileira no cinema moderno brasileiro? De que forma essa representação apareceu no cenário cinematográfico nacional? Qual a imagem criada do negro no cinema moderno brasileiro? Qual a essência da questão afro-brasileira nos filmes de Glauber Rocha, autor inconfundível do cinema novo e moderno brasileiro?

O cinema moderno brasileiro, a partir de Rio Zona Norte (Nelson Pereira dos Santos, 1957), expôs no imaginário do espectador através do personagem Espírito, interpretado por Grande Otelo, a questão racial brasileira que até aquele momento, se não estava oculta no discurso cinematográfico nacional era apresentada de forma estereotipada e caricatural. Nelson Pereira dos Santos em Rio Zona Norte desnudou e revelou a face da cultura afro-brasileira, exemplo seguido por Trigueirinho Neto em Bahia de Todos os Santos (1959), Glauber Rocha em Barravento (1960) e Roberto Pires em A Grande Feira (1962), filmes que formaram um discurso continuum da multiplicidade étnico-racial brasileira, marcando uma nova estratégia na representação identitária fílmica nacional quando reescreveram em imagens o discurso da negritude antagônico à história colonial. A partir desse instante o movimento Cinema Novo, o representante mais autentico da nossa modernidade cinematográfica, se encarregou da solidificar essa representação étnico-racial no imaginário nacional por meio da profusão de estilo de seus autores: Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Cacá Diegues, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade e outros.

Parte desse grupo, Glauber Rocha é um dos cineastas que fez dos enunciados étnico-raciais um significativo campo de experimentação, construindo nos seus filmes personagens mais representativos no espaço dramatúrgico alegórico e metafórico do que no campo do realismo cinematográfico.

Assim, essa proposta busca compreender nos filmes que dispomos a analisar Barravento, Deus e o Diabo na Terra do Sol, O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro e A Idade da Terra como suas personagens principais Aruan, Antonio Conselheiro, Antão e Cristo-Negro e outros coadjuvantes são componentes da construção identitária da negritude que metaforizam a esfera pública mesmo quando estão narrando suas vidas privadas nas quais o pessoal e o político estão em permanente diálogo com as ambigüidades diacríticas provocadas nos conflitos de um sistema conservador que não permite equacionar e solucionar as discussões a respeito de temas como a desigualdade, a exclusão, a hierarquia e o preconceito entre brancos e negros.

Bibliografia

BERNARDET, Jean-Claude Cinema brasileiro: propostas para uma história, São Paulo: Cia. Das Letras, 2009.

BERNARDET, Jean-Claude. Brasil em tempo de cinema. São Paulo: Cia das Letras, 2007.

CUNHA, M. C. Negros estrangeiros. SP, Brasiliense, 1985.

ROCHA, Glauber. Revisão crítica do cinema brasileiro. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

RODRIGUES, J. C. O negro brasileiro e o cinema. SP: Pallas, 2001.

SCHWARCZ, L. M. Nem preto nem branco, muito pelo contrário: cor e raça na intimidade. In___ História da Vida Privada IV. SP, Cia. das Letras, 1998.

XAVIER, Ismail. Cinema moderno brasileiro, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001