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  Título
As relações de gênero na densidade “exótica” da obra de Claudia Llosa
Autor
Juliano Gonçalves da Silva
Resumo Expandido
Sob esse aspecto, cabe explicitar que se trata de uma tentativa de ampliar idéias iniciais que venho desenvolvendo em trabalhos anteriores, tendo como objetivo incorporar as reflexões instigadas pelo contato com as teorias que se apresentam como interessantes para a construção da reflexão e pesquisa que venho desenvolvendo no meu doutorado. No meu trabalho do doutorado tenho como objetivo comparar a representação dos personagens indígenas no cinema brasileiro e peruano, a partir disso refletir sobre a construção do personagem indígena no cinema latino-americano e um dos aspectos a analisar nesses personagens é a maneira como são representadas as relações de gênero. Esse trabalho dá continuidade ao desenvolvido no mestrado quando me ative ao estudo da representação do indígena no cinema brasileiro, sendo retomadas algumas partes do mesmo que considero pertinentes para a discussão pretendida.

Ainda dentro da perspectiva elaborada inicialmente no meu trabalho de mestrado e que pretendo desenvolver e aprofundar melhor no doutorado, a idéia é buscar trabalhar a análise dos filmes muito mais como um “texto”, bebendo na fonte das idéias de Clifford Geertz (2001). Neste ponto podemos dizer que a busca seria não só de uma análise fílmica, nos moldes tradicionais, buscando cortes, enquadramentos e demais pontuações técnicas de leitura filmográfica, mas ampliando-se em busca de uma análise fílmica etnográfica, relacionando-a com a possibilidade de uma “descrição densa” da realidade do contexto fílmico (mis en scéne). Assim, constituindo uma etnografia do filme, considerando-o como um campo real onde realizarei as incursões em busca do registro mais amplo possível do “nativo". Certamente não será uma interpretação de primeira mão, pois o texto inicial não foi por mim escrito, mas como diz Geertz, em seu livro já clássico, “A Interpretação das Culturas” o que nós temos sempre são “interpretações de interpretações”.

Mais especificamente sobre a questão do personagem no cinema, o livro El personaje em El cine – Del papel a La pantalla , traça um exaustivo panorama da questão. Partindo de uma perspectiva geral sobre a criação cinematográfica, conclui com a análise de conjuntos de personagens que tem desempenhado um papel chave no universo ficcional de alguns criadores e as implicações que tem para o ator, diretor e na seqüência para o espectador, temas discutidos com a intenção de melhor se conhecer o papel desempenhado pelas ficções cinematográficas(FLORIANO, 2007).

No artigo que abre a obra, La construcción de personajes, existe uma interessante discussão sobre o que é um personagem. De acordo com o autor, esta discussão se constitui no ponto de partida da maioria dos textos que estudam os personagens. Os que se dedicam a direção de cinema e TV, sobretudo de ficção, também começam sua análise específica fazendo a mesma pergunta. Segundo ele, poderíamos ser mais amplos e ir mais além do “o que é” e seguir perguntando “como é”, “o que quer”, “o que necessita”, “de onde vem”, “o que faz” e outras perguntas inumeráveis. O correto talvez fosse questionar-se “quem é um personagem”, já que se trata da representação de uma pessoa. É uma persona sem sê-lo, e vive a sua imagem e semelhança. Persona e personagem têm uma mesma origem: prosopon. Este vocábulo grego designa a máscara que os atores usavam para sair da cena no teatro antigo. A “persona-ator” estava por trás de uma forma, máscara ou fantasia, transformando-se em personagem na vista dos espectadores. O personagem é, então, “a máscara que vemos da pessoa”. Quatro elementos são considerados fundamentais para se criar um personagem: o que quer o personagem; como ele vê o mundo (ou seja, qual seu ponto de vista); quais as transformações que o personagem passa durante o filme e qual a atitude (ou as atitudes) dele frente aos fatos que se passam no filme. A estes devem se somar a “verossimilhança, a motivação e o diálogo, quando nos propomos a descobrir os segredos do personagem”(CÓLON, 2007
Bibliografia

BUTLER, Judith. Problemas de gênero. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

CAMINAS, Alfredo. La construcción de personajes. Perpectiva general. In: CÓLON, Pedro Sangro e FLORIANO, Miguel Á. Huerta. El personaje em El cine – Del papel a La pantalla. Madrid: Calamar, 2007.

FEMENÍAS, Mª Luisa. Aproximación al pensamiento de Judith Butler, 2003.

GEERTZ, Clifford. Novas luz sobre a antropologia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

____. A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1978.

NOVAES, Sylvia Caiuby. Jogo de espelhos. São Paulo: Edusp, 1993.

SILVA, Juliano Gonçalves da. O Índio no Cinema Brasileiro e o espelho recente. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Multimeios da UNICAMP. Campinas, SP: 2002.

____. Entre o bom e o mal selvagem: ficção e alteridade no cinema nacional. Espaço Ameríndio. v.1, p.195 - 211, 2007.