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  Título
Navarro e Belens: o método e a invenção no cinema baiano
Autor
Marise Berta de Souza
Resumo Expandido
O que é invenção? Como ela se manifesta? Qual a sua substância?

No seu sentido etimológico a invenção é a imaginação produtiva ou criadora, uma espécie de ordem interna à qual não se pode insurgir, capaz de engendrar a concepção de algo novo, inusitado. Aptidão especial para conceber. O seu reconhecimento se dá quando ela se torna uma condição existencial absoluta, quando é genuína e não deixa espaço para considerações de oportunidade e conveniência. A invenção é imiscuída em um terreno complexo, uma mistura que sintetiza todas as experiências vividas, memórias, intuições, eventos casuais e circunstâncias concretas. É impossível estabelecer com precisão o momento do seu florescimento, assim como é impossível analisá-la na variedade de seus componentes.

A acepção invenção abrange a práxis de determinados cineastas que ajudaram a construir um inventário imagético acumulado no primeiro século das imagens em movimento. Entender o cinema como uma linguagem complexa com laços intrincados entre a poética do criador cinematográfico e os seus processos de produção, torna possível traçar princípios que admitem uma marca pessoal na realização cinematográfica que permite que se coloque a discussão para além da sua tradicional dicotomia entre arte e indústria e possa se extrair do cinema sua essência enquanto linguagem poética, capaz de conjugar características de expressividade e comunicabilidade.

Assim, para descrever o processo criativo desses dois cineastas escolho, então, me posicionar do ponto de vistas desses artistas, para dar a compreender e tornar comunicável as suas poéticas e processos criativos. O percurso dessa investigação pretende estimular os cineastas a discorrerem sobre os seus próprios métodos, de maneira a expor e dar visibilidade ao pensamento criador de. Entende-se que os artistas são os sujeitos que ocupam de forma privilegiada o interior da urdidura de seus processos, suas escolhas, seus procedimentos e determinações conformam o seu método. Essa investigação afasta-se de enfocar a questão apenas pelo viés histórico-crítico e aproxima-se de uma observação da experiência sensível e inventiva revelada pela expressão poética de dentro para fora da obra na busca de compreender como a poética desses cineastas se clarifica. As referências teóricas e históricas estarão presentes, mas não serão padrões para análise ou identificação dos filmes. Busca-se mapear os elementos inspiradores, imbricadas na construção dos filmes, em diálogo constante que relaciona e torna indissociável o processo criativo ao produto fílmico concebido.



Bibliografia

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BAECQUE, Antoine de (org). La política de los autores - Manifestos de una generación de cinéfilos. Barcelona: Buenos Aires: Paidós, 2003.

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CARRIÈRE, Jean-Claude. A linguagem secreta do cinema. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995.

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DURAND, Gilbert. A imaginação simbólica. São Paulo: Cultrix, Editora da USP, 1998.

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MATTOS, Carlos Alberto. Walter Lima Júnior, Viver cinema. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2002.

RANGEL, Sonia. Olho desarmado: objeto poético e trajeto criativo. Salvador: Solisluna Design Editora, 2009.



STAM, Robert. Introdução à teoria do cinema. Campinas, SP: