/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
Televisão e transmediação: configuração de novos conteúdos
Autor
Yvana Carla Fechine de Brito
Resumo Expandido
Inserida no cenário de convergência digital e globalização, a indústria midiática, da qual a TV é um dos braços mais importantes, orienta-se cada vez mais pelo surgimento de formas culturais que não estão mais baseadas em um medium, mas em um conjunto de media, sendo assim transferíveis de uma plataforma para outra. Esse fenômeno, baseado na circulação dos mesmos produtos ficcionais entre plataformas, é denominado transmediação (Fechine e Figueirôa, 2009; Jenkins, 2008 e 2003). O conceito de transmediação remete, genericamente, a toda produção de sentido fundada na reiteração, pervasividade e distribuição articulada de conteúdos em distintas plataformas tecnológicas (TV, cinema, internet, celular etc). Constrói-se, a partir dessa circulação de conteúdos associados, um environment narrativo explorado pelas distintas mídias a partir de suas especificidades. Compreendida aqui em uma acepção mais ampla, a transmediação designa, por um lado, um conjunto de estratégia cross media que operam a partir da repercussão, das ressonâncias e da retroalimentação de conteúdos de um meio a outro, tal como ocorre hoje exemplarmente entre a televisão e a internet, mas também entre cinema e TV. O conceito de transmediação remete, por outro lado, ao aparecimento, na indústria do entretenimento, do que Jenkins (2008) descreveu mais especificamente como transmedia storytelling ou narrativa transmidiática. Segundo Jenkins, uma narrativa transmidiática desdobra-se através de múltiplas plataformas de mídia, manifestando-se em cada uma delas com um novo texto, que contribui para o universo ficcional como um todo. Em uma narrativa transmidiática, o enredo original desdobra-se em distintos momentos de sua linha temporal, enfocando novos aspectos ou pontos de vista, explorando personagens secundários e/ou complexificando a atuação dos protagonistas a partir de situações e ambientes próprios a cada plataforma tecnológica. Para isso, é necessário investir na proposição de universos ficcionais capazes de acolher múltiplos personagens, do mesmo modo que estes devem ser compostos para sustentar múltiplas situações. Idealmente, a narrativa proposta por cada meio deve fazer sentido tanto para os espectadores que tomam contato com aquele universo ficcional pela primeira vez por meio de uma determinada mídia quanto para aqueles outros que buscam aquele universo ficcional em múltiplas mídias. Apoiados nesse conceito, propomo-nos a discutir como tem se dado, a partir da exploração das tecnologias digitais, a configuração de conteúdos orientados pela transmediação na produção televisiva brasileira, atentando, especialmente, para a construção de universos narrativos compartilhados entre minisséries e seriados da TV e filmes produzidos pela Globo Filmes, bem como para as implicações desse fenômeno nas estratégias de roteirização.
Bibliografia

FECHINE, Yvana e FIGUEIRÔA, Alexandre (2009). Produção ficcional brasileira no ambiente de convergência: experiências sinalizadoras a partir do Núcleo Guel Arraes. In: LOPES, Maria Immacolata Vassalo de Lopes (org.). Ficção televisiva no Brasil: temas e perspectivas, São Paulo: Globo.



JENKINS, Henry (2008). Cultura da convergência, trad. Susana Alexandria. São Paulo: Aleph.



_____ (2003). Quentin Tarantino's Star Wars? Digital Cinema, Media Convergence, and Participatory Culture. In: JENKINS, Henry e THORBURN, David. Rethinking Media Change, Cambridge: MIT Press.