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  Título
O cinema paulista dos anos cinquenta e a representação da cidade
Autor
Mauricio Reinaldo Gonçalves
Resumo Expandido
Os anos cinquenta são caracterizados como o período em que o Brasil deixa em definitivo de ser um país predominantemente rural, assumindo sua face urbana. A maior parte dos brasileiros deixa de habitar o campo, passando a ocupar as cidades. São Paulo passa a ser identificada como a “locomotiva do país”, a cidade “que nunca dorme” ou “que não pode parar”, “a metrópole que mais cresce no mundo”. O cinema paulista desse período apresenta a cidade em seus enredos, multiplica suas imagens, falando dela e deixando-a falar. Esta comunicação pretende observar como três títulos da produção cinematográfica paulista dos anos cinquenta incorporam a cidade em suas narrativas construindo, simultaneamente, uma narrativa sobre a cidade nesse seu momento histórico particularmente importante. São eles: “Na Senda do Crime”, produção da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, de 1953, dirigido por Flamínio Bollini Cerri, “Absolutamente Certo”, produzido por Oswaldo Massaini e dirigido por Anselmo Duarte em 1957 e “Moral em Concordata”, produção de Abílio Pereira de Almeida, dirigido, em 1959, por Fernando de Barros.

Os signos urbanos constroem sua significação quando enredados pela linguagem cinematográfica no fluxo do discurso fílmico. O filme de Fernando de Barros apresenta a faceta operária da cidade, a rua do bairro periférico que se torna quase que uma extensão das casas acanhadas dos moradores da periferia paulistana. Anselmo Duarte faz seus personagens transitarem pela cidade e, na locomoção entre centro e periferia, apresenta o cotidiano daqueles cidadãos que começam, pouco a pouco, a deixar o espaço público e a se aglutinarem nas salas das casas, em torno dos aparelhos de televisão. Nestes dois filmes, a cidade “fala”, é eloqüente. O filme policial de Flamínio Bollini Cerri apresenta a cidade verticalizada, em construção, um verdadeiro canteiro de obras apontando para o alto e para a metrópole que dali surgiria. Aqui, a cidade é objeto da fala do filme, é dela que se está falando.

Esta comunicação observa como essas falas se dão e como contribuem para a construção da imagem e da identidade da metrópole paulistana.

Bibliografia

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