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  Título
Variações do tempo -mutações entre a imagem estática e a imagem movime
Autor
Antonio Pacca Fatorelli
Resumo Expandido
Título: Variações do tempo – mutações entre a imagem estática e a imagem movimento

Pesquisador: Antonio Fatorelli (ECO-UFRJ)



1. Introdução e justificativa



As mutações estéticas processadas no âmbito da cultura contemporânea colocam em perspectiva as definições tradicionalmente associadas aos meios fotográfico, videográfico e cinematográfico, enquanto estabelecem as condições favoráveis à emergência de um pensamento crítico. Neste momento de transição, comparável em extensão e em profundidade àquele que se sucedeu à emergência da fotografia na primeira metade do século XIX, renovam-se os desafios para o criador de imagens e também para o crítico da cultura visual. As mutações em curso e aquelas em via de se realizarem no futuro próximo são as questões cruciais que se destacam no âmbito da cultura imagética atual.



2. Hipótese



A condição de hibridismo ou, na acepção de Bellour, de passagem entre as imagens, resultou, nas últimas duas décadas, em um corpo significativo de trabalhos situados na intersecção entre a fotografia, o vídeo e o cinema.



Nossa hipótese é a de que as mutações processadas na atual conjuntura podem ser apreendidas através do duplo movimento de alteração do fluxo regular da imagem movimento e, de outro lado, de serialização e de temporalização da imagem estática. Supomos que os trabalhos situados nesse limiar entre o fixo e o móvel, no modo em que estão organizados e pelas experiências estéticas que proporcionam, apresentam-se como expressões culturais singulares e expressam as potências do híbrido contemporâneo.



3. Referenciais teóricos e metodologia



O propósito pontual desta apresentação é o de analisar os trabalhos realizados a partir de instantâneos, em especial os vídeos ‘Section of a happy moment’ e ‘Long goodbye’ de David Claerbout e, de modo complementar, o vídeo ‘Venice’, de Thierry Kuntzel, em que o fluxo da imagem movimento é retardo ou mesmo suspenso, e os vídeos da série ‘Five’, de Abbas Kiarostami, em que os longos planos estáticos reatualizam os procedimentos estéticos historicamente associados ao primeiro cinema e à fotografia.



No âmbito da crítica, esse deslocamento do lugar ocupado pela imagem fez-se acompanhar pelo progressivo abandono do discurso da especificidade da imagem fotográfica, que mobilizara a crítica até os anos 80, a favor de um discurso que reconhece e legitima a condição atual de transversalidade e de passagens das imagens.



As questões teóricas concernentes à problematização da relação entre a imagem estática e a imagem movimento presentes nessa apresentação, encontram-se referenciadas nas proposições desenvolvidas por Raymond Bellour, Anne-Marie Duguet, Philippe Dubois, Roland Barthes, Gilles Deleuze e Mark Hansen.



Bibliografia

BARTHES, Roland. Ao sair do cinema in O rumor da língua. Porto: Edições 70, 1987.

BELLOUR, Raymond. De um outro cinema in Katia Maciel (org.), Transcinemas. Rio de Janeiro: Editora Contra Capa, 2009.

________ . Entre-imagens. Campinas: Papirus, 1997.

DELEUZE, Gilles. A imagem-tempo. Rio de Janeiro: Brasiliense, 1990.

DUBOIS, Philippe. Sobre o ‘efeito cinema’ nas instalações contemporâneas de fotografia e vídeo in Katia Maciel (org.), Transcinemas. Rio de Janeiro: Editora Contra Capa, 2009.

________ . Movimentos improváveis – o efeito cinema na arte contemporânea. Rio de Janeiro; Centro Cultural Banco do Brasil, 2003.

DUGUET, Anne-Marie. Dispositivos in Katia Maciel (org.), Transcinemas. Rio de Janeiro: Editora Contra Capa, 2009.

HANSEN, Mark. New philosophy for new media. Cambridge: MIT Press, 2004.

LUZ, Rogerio. Um outro tempo in Antonio Fatorelli e Katia Maciel (orgs.), O que se vê, o que é visto – uma experiência transcinemas. Rio de Janeiro: Editora Contra Capa, 2010.