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  Título
Laboratório de criação: aproximações entre os modelos de produção cênica
Autor
walmeri Kellen Ribeiro
Resumo Expandido
O laboratório nas artes cênicas, ao longo dos anos, se dividiu em duas faces de composição, uma mais voltada para a preparação do ator em si, fundamentado no treinamento a partir de uma sistematização técnica e de exercícios que colaborem para a formação do ator, conforme estabelecido por Stanislávski, Grotówski, Eugênio Barba e aqui no Brasil por Luis Otávio Burnier e Antunes Filho; e outra face direcionada ao espaço de criação e experimentação para a construção de uma obra específica, como nos trabalhos de Peter Brook, Robert Lepage, DV8 Physical Theatre, La Fura del Baus, Ariane Mnouchkine, Teatro da Vertigem, entre outros brasileiros e estrangeiros.

Fruto de um trabalho colaborativo de criação, de uma experiência partilhada, que tem a improvisação como base para o desenvolvimento de personagens, lugares e situações em potenciais à composição da obra, o laboratório de criação torna-se fundamental ao processo criativo na produção cênica contemporânea, sendo também um espaço de investigação extremamente importante para a criação cinematográfica.

Assim, ao falarmos em laboratório de criação, nos referimos a um espaço-tempo onde a obra emerge. Com grande variedade e singularidade, o ponto de partida são células iniciais de criação, que podem ser um livro, um texto, uma imagem, uma idéia. Já o ponto de chegada é fruto de um sistema de criação, no qual não há autores, há criadores, sendo a criação o resultado de um imenso território de possibilidades, que é tecido e reordenado durante todo o processo de criação até chegar em uma forma possível.

Pensarmos esse sistema para a produção cinematográfica, em muitos momentos parece extremamente inviável, mas não só é possível como vem sendo realizado por diretores como: Mike Leigh e Luiz Fernando Carvalho.

O diretor inglês Mike Leigh, que é conhecido por desenvolver um trabalho de improvisação com os atores, diz ser imprescindível para ele não trabalhar com um roteiro ou script, mas ir criando ações, diálogos e marcações, que estão em constante movimento, e que ao guiar a equipe, vai desenhando a narrativa numa linha que o estimula como diretor. “O universo do filme ganha vida por meio de um processo criativo que não tem uma duração.” (LEIGH, 2009)

Já o diretor brasileiro Luiz Fernando Carvalho, desde a criação do filme Lavoura Arcaica (2001), onde tomou como célula inicial de criação o livro homônimo de Raduan Nassar, diz buscar um acontecimento para ser registrado pela lente das câmeras, e para que isso aconteça buscou uma outra ética de criação. Fundamentada na frase do poeta Jorge de Lima “Como conhecer as coisas, senão sendo-as?”, esta ética propõe uma relação de criação laboratorial imersiva, alicerçada pela improvisação do atores e pela liberdade de criação estabelecida a partir da colaboração e da co-criação.

Diante de um outro sistema de criação há a necessidade de um sistema outro de produção. E, é neste terreno que caminhamos com a atual produção audiovisual, rompendo com paradigmas da criação cinematográfica e se aproximando da criação cênica contemporânea.

Diante desta breve explanação, a comunicaçao proposta objetiva explorar as aproximações entre a criação cênica e a cinematográfica, discutindo a relevância desse sistema criativo e as implicações no processo de produção cinematográfico.

Bibliografia

BONFITTO, Matteo. A cinética do invisível. São Paulo: Perspectiva, 2009.

CARVALHO, Luiz Fernando. Sobre o filme Lavoura Arcaica. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002.

COHEN, Renato. Performance como linguagem. São Paulo: Perspectiva, 2007.







GROTOWSKI, Jerzy. teatro laboratório de Jerzey Grotowski 1959-1969. São Paulo: Perspectiva: SESC; Pontedera IT: Fondazione Pontedera Teatro, 2007.



ISAACSOON, Marta. Processo de criação cênica no teatro experimental do Québec. IV Reunião Científica de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas, 2007.

LEHMANN, Hans-Thies. Teatro Pós-Dramático. São Paulo: Cosac Naify, 2007

LEIGH, Mike. Entrevista concedida ao Jornal Estado de São Paulo, março de 2009. disponível no endereço: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090327/not_imp345542,0.php

SALLES, Cecília Almeida. Redes da Criação: construção da obra de arte. São Paulo: Editora Horizonte, 2006.

WATSON, Garry. The Cinema of Mike Leigh: a sense of the real. Wallflower Press, 2004