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  Título
FOCALIZAÇÃO NA ADAPTAÇÃO CINEMATOGRÁFICA CAPITU
Autor
RENATA BATISTA BENEDITO
Resumo Expandido
Em 1986 o diretor cinematográfico Paulo Cezar Saraceni se propõe a fazer a adaptação do polêmico romance de Machado de Assis, Dom Casmurro 1899. Dando origem assim ao filme Capitu. O estudo das relações entre literatura e cinema oferece um campo vasto de perspectivas e contrapontos que os diversos críticos e teóricos do assunto têm estabelecido em relação ao problema da adaptação. Tal estudo tem cada vez ganhado mais espaço, visto que, inúmeras obras literárias já foram adaptadas para o cinema.

A obra Dom Casmurro é responsável pelo levantamento de inúmeras polêmicas. Diante desse e de outros fatos pertinentes ao estudo proposto, sentimos a necessidade de fazer um estudo mais aprofundado comparando as duas obras Dom Casmurro, de Machado de Assis e Capitu. Nesse sentido, será considerada a categoria focalização (GENETTE s/d), um aspecto de extrema relevância no romance, e que é modificado no processo de adaptação para o cinema.

A focalização é responsável, entre outras, pela ampliação ou redução das informações narradas, onde tais informações serão carregadas de ideologia. Portanto, a partir do momento em que a focalização é transferida para outro personagem ou outro tipo de narrador estaremos diante de um novo ponto de vista, uma nova perspectiva das informações. Perspectivas essas que, não podemos esquecer, são norteadas pelo contexto social no qual a obra está inserida, pois, “Na sua linha de evolução, o romance foi sempre marcado por uma vocação peculiar: seu vínculo como a realidade social.” (AMORIM, 2003, p.20)

Além da mudança de focalização na adaptação de Dom Casmurro para Capitu, obras possuidoras do mesmo enredo, será analisado como e em que nível ocorre a mudança de trama. Onde segundo os formalistas russos o enredo, também chamado de fábula, se trata dos fatos que serão narrados, enquanto que a trama consiste no modo como esses fatos serão narrados, tornando-se assim a parte inteiramente artística da obra. De acordo com Tomachevski (1976, p. 174), “Um fato qualquer não inventado pelo autor pode servir-lhe como fábula. A trama é uma construção inteiramente artística.”

Almejamos também analisar a obra fílmica partindo da observação da escolha e produção das cenas, a mudança de focalização, a interpretação que foi feita da obra literária a fim de produzir a obra fílmica, visto que, o cinema por se tratar de uma modalidade plástica, tem a capacidade de demonstrar através das imagens, portanto a literatura sugere a imagem enquanto que o cinema a impõe, com isso toda adaptação é uma interpretação (BRITO, 2006). Assim como também observar as interpretações sugeridas pela obra fílmica.

Bibliografia

AMORIM, José Edílson. Romance à brasileira (Literatura e sociedade no século XIX). João pessoa: Bagagem, 2003 (Coleção Linguagem e Ensino).

ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. 39 ed. São Paulo: Ática, 2007.

BRITO, João Batista de. Literatura, cinema, adaptação. In: Literatura no cinema. São Paulo: Unimarco, 2006. P. 131-56.

EIKHENBAUM et al. Teoria da literatura: Formalistas russos. 2. ed. Porto Alegre: Editora Globo, 1976.

GENETTE, Gerard. O discurso da narrativa. Lisboa: Vega Universidade, s/d.