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  Título
A cólera de Electra, em fragmentos e fotogramas
Autor
Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho
Resumo Expandido
Quando Pier Paolo Pasolini foi a África, buscando locações e pessoas do povo para encenar sua Orestéia africana, da qual temos hoje um fragmento de 65 minutos de filme, ele ficou preocupado em relação à moça que faria o papel de Electra, pois disse que todas eram muito alegres, mesmo vivendo, muitas vezes, sob condições bem adversas. Não encontrava, assim, face que pudesse retratar a dor e a raiva da filha mais velha de Agamêmnon. Esta personagem, que em nome da honra paterna, planeja e ajuda a executar a morte da mãe, a rainha Clitemnestra, foi retratada pelos poetas trágicos gregos em 3 peças: Coéforas, de Ésquilo, Electra, de Sófocles e Electra, de Eurípides. A irmã mais velha de Ifigênia e Orestes também foi levada ao cinema por pelo menos 6 grandes diretores em filmes grego, italianos, húngaro, francês e português, respectivamente: Electra (1962), de Michael Cacoyannis, Appunti para una Orestéia africana (1970), de P.P.Pasolini, Vagas Estrelas da Ursa Maior (1974), de Luchino Visconti, Beloved Elektra (1974), de Miclós Jancsó, Ataque de Defesa (1993), de Jaques Rivettte, e Mal-nascida (2008) de João Canijo.

Meu objetivo, nesta comunicação, é o de analisar alguns aspectos da representação desta persongem no cinema, por meio de diferentes adaptações de sua história, bem como analisar os esquemas retóricos para produzir no cinema uma das paixões já analisadas por Aristóteles - e motivadora de tantas narrativas na literatura e no cinema - a da cólera, definida como desjo de vingar-se, devido a um desprezo não merecido.
Bibliografia

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