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  Título
Cineastas indígenas e suas práxis de criação de vídeos nas aldeias.
Autor
suzane lima costa
Resumo Expandido
Muitas são as leituras teórico-críticas contemporâneas sobre os novos formatos de autorepresentação das minorias políticas nas (re)produções de etnodocumentários. Vemos, nos discursos mais recentes da antropologia visual, uma aposta na descentralização da autoridade científica da fala do etnógrafo, para fazer valer o caráter autoficcional do sujeito -produtor e produto- de diferentes narrativas audiovisuais. Um tipo de "cenografia" representativa deste exercício no Brasil vem se configurando significativamente nos documentários que os povos indígenas produzem nas aldeias desde 1987. Através do projeto "Vídeos nas aldeias", um acervo, com mais de 70 filmes, cartografa e arquiva a memória indígena,afirmando o movimento histórico das políticas identitárias destes povos no imaginário coletivo local e global. Neste artigo apresento uma proposta de leitura crítica, e porque não dizer um método, para refletir sobre o processo de criação destes arquivos audiovisuais. Para tanto, tomo o documentário "Vídeo nas aldeias se apresenta" como um tipo de making off dos registros, dos racunhos, das oficinas de produção destes grupos, bem como da relação existente entre os "manuscritos" da criação e a obra entregue ao público, para discutir o processo performático de autoficção dos cineastas indígenas do Brasil.
Bibliografia

AUGÉ, Marc. Hacia una antropología de los mundos contemporáneos. Barcelona: Gedisa, 1995.

GEERTZ,Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.

KLINGER, Diana. Escritas de si, escritas do outro: o retorno do autor e a virada etnográfica. Rio de janeiro: 7Letras, 2007.