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  Título
Transcinemas e Transmídias: 3 análises de dipositivos
Autor
bernardo queiroz siqueira santos
Coautor
NINA VELASCO E CRUZ
Resumo Expandido
É seguro afirmar que o desenvolvimento da tecnologia audiovisual tem modificado a forma dos filmes, especialmente nos últimos 10 anos, num processo que tem sido marcado pela popularização da imagem digital facilmente captável e alterável (JENKINS, 2004) e do desenvolvimento dos computadores pessoais poderosos, capazes de armazenar quantidades gigantes de memória e processa-las extremamente rápido. (HUYSSEN, 2004)

Embora hoje, tenhamos uma maneira hegemônica de cinema, é importante lembrar que essa “Forma Cinema” não surgiu, já formada, junto com o início do cinema ou com as primeiras utilizações de imagens em movimento. Portanto, não foi apenas a imagem em si que foi se modificando e adquirindo novas potencialidades com o avançar do tempo e da técnica. Todo o Dispositivo do Cinema, da projeção ao ambiente, foi se modificando com o tempo. (PARENTE, 2009). Portanto, a Forma e a Experiência do Cinema são seriamente dependentes dos dispositivos através dos quais a imagem e a narrativa são trabalhados, e neste artigo, pretendemos analisar os efeitos e possibilidades de 3 dispositivos. O filme de terror interativo 13th street, a interface para jogos Project Natal, e o filme montado-on-the-run numa interfaçe de toque Ressaca.

1) A grande novidade da Microsoft neste campo no ano de 2009 foi o artefato chamado Project Natal: Um jogo de sensores colocados numa sala que capta todos os movimentos da pessoa, criando consequências dentro da imagem 3d mostrada a frente. Sem fios, caixas, pontos de captação de movimento ou nenhum tipo de desconforto ou peso para quem usa o sistema. A imagem projetada é capaz de reconhecer gestos e expressões do usuário, através de câmeras integradas. Podem imaginar as possibilidades de projeção interativas quando o usuário pode literalmente falar com os personagens da trama e interagir com eles?

2) A projeção Ressaca, que é um filme que é remontado continuamente através de uma interface de toque existente dentro da própria sala de projeção. Ele é um filme cujo contexto é remontado a cada sessão, e ele também pode ser usado como instalção em exposições, onde cada visitante ganha o direito de remontar as próximas cenas, criando sua própria experiência.

3) Enquanto isso, 13th Street é uma projeção interativa controlada por celular, onde durante a projeção um dos personagens liga para pessoas da platéia em busca de orientações. Enquanto em Ressaca, a interação é mediada pela interface, em 13th street o público se comunica oralmente com a personagem, e um algoritmo que trabalha com palavras chave reconhece as intenções da platéia e modifica o desenrolar do filme.
Bibliografia

BOLTER, David J e GRUSIN, Richard. Remediation: Understanding New Media. MIT Press, 2000.

MACIEL, Kátia (org). Transcinemas, Contra Capa Editora, Rio de Janeiro. 2009.

DUMAS, Danny. First Look: Microsoft Milan Surface Computer

Disponível em: http://www.wired.com/gadgetlab/2007/05/first_look_micr/

HUYSSEN, Andreas. Seduzidos pela memória. Ed. Aeroplano, 2000.

JENKINS, Henry. The work of Theory in the Age of Digital Transformation.

In: MILLER, Toby e STAM, Robert. Companion to Film Theory. Blackwell Publishing, Nova York, 2004.

MACIEL, Kátia e PARENTE, André. Redes Sensoriais, Rio de Janeiro, Ed. Contra Capa, 2003.

MANNOVICH, lev. Novas mídias como Tecnologia e idéia: 10 definições.

In: LEÃO, Lúcia (org). O chip e o caleidoscópio, Ed. Senac, São Paulo, 2005.

STERLING, Bruce: Augmented Reality: Project Natal

Disponível em: http://www.wired.com/beyond_the_beyond/2009/09/augmented-reality-project-natal/