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  Título
Ó pai ó: elementos narrativos atualizados entre o cinema e a televisão
Autor
Flávia Seligman
Resumo Expandido
Este trabalho segue uma pesquisa já iniciada que aborda um aspecto importante do espaço audiovisual brasileiro contemporâneo, a interação entre cinema e televisão, com foco no caso dos aqui denominados Produtos Flexíveis, ou seja, produtos audiovisuais que adquirem diferentes formatos a partir de uma matriz única com o objetivo (entre outros) de ocupar mais de uma janela de exibição.

No Brasil, o diálogo entre a televisão e o cinema foi se atualizando devido às necessidades e à formação do mercado audiovisual. Hoje, com um mercado expandido e demandando formatos diversos que sejam capazes de abranger um bom número de janelas de exibição diferentes ao mesmo tempo (salas de cinema, televisão aberta, TV paga, home vídeo, etc.) é comum encontrarmos produtos que se multipliquem a partir de uma matriz única.

Ó pai ó é mais um destes produtos com algumas particularidades. Sua matriz é uma peça de Márcio Meirelles, encenada pelo Bando de Teatro Olodum, na Bahia. A partir deste texto, em 2007, a cineasta Monique Gardemberg lançou um longa-metragem homônimo que depois gerou uma série na Rede Globo, com duas temporadas, em 2008 e 2009. O filme, apesar da publicidade e de um elenco conhecido da televisão, alcançou uma bilheteria modesta com menos de 400.000 espectadores nas salas de exibição, mas a série, por sua vez, fez bastante sucesso, tanto que demandou uma segunda temporada.

O filósofo e semioticista Omar Calabrese na obra A Idade Neobarroca desenvolve o conceito de repetição ao analisar as obras que utilizam de elementos repetidos de obras anteriores. Calabrese aborda a relação entre um texto e vários textos “entre aquilo que se pode perceber como idêntico e aquilo que se pode perceber como diferente. Teremos então duas fórmulas repetitivas opostas, a variação de um idêntico e a identidade dos mais diferentes.” (CALABRESE, 1999, p.44)

Calabrese cita antigas séries televisivas norte-americanas, como Lassie e Rin-Tim-Tim, onde o ponto de partida é o protótipo que é multiplicado em situações diversas ou em produtos que nascem como diferentes de um original, mas que se resultam idênticos. Um produto pode gerar outros em outras situações (séries com filmes e vice-versa) ou gerar produtos similares como outras séries ou outros filmes partindo de um tema ou de uma situação comum.

Podemos aplicar a conceituação de Calabrese nos elementos reincidentes de Ó pai ó, entendendo como eles se atualizam entre o cinema e televisão. O foco narrativo, o narrador Roque (Lazaro Ramos) e como ele se posiciona frente aos acontecimentos no filme e na série, o enredo, como ele se estrutura nos elementos que se repetem (e porque) e nos elementos que se diferenciam, que funcionam em uma ou noutra forma (e porque), nos personagens e sua importância no filme e na série, no tempo e no espaço das ações dramáticas.

Estes elementos, que nos interessam estudar, posicionam-se de acordo com as características que a forma fílmica e a forma televisiva se compõe e atendem à demanda de cada uma delas, funcionando ou não (com o público) dependendo da maneira como são trabalhados.

A metodologia utilizada será a da análise fílmica.

Bibliografia

BORDWELL, David. El significado del film. Buenos Aires: Ediciones Paidós, 1995.

CALABRESE, Omar. A idade neobarroca. Portugal:Edições 70, 1999.

GAUDREAULT, André e JOST, Françoois. El relato cinematográfico. Buenos Aires: Ediciones Paidós, 1995.

ROSSINI, Miriam de Souza. Traduções audiovisuais: múltiplos contatos entre cinema e tevê. In SILVA, Alexandre Rocha da e ROSSINI, Miriam de Souza. Do audiovisual às audiovisualidades: convergência e dispersão nas mídias. Porto Alegre: Asterisco, 2009.

SELIGMAN, Flávia. Multiplicidade e diversidade no cinema brasileiro da retomada. In BRITTOS, Valério Cruz (org.) Comunicação na Fase da Multiplicidade da Oferta. Nova Prova: Porto Alegre, 2006.