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  Título
O som segundo Jean-Claude Bernardet
Autor
Eduardo Simões dos Santos Mendes
Resumo Expandido
Jean-Claude Bernardet é conhecido por ser um homem multi-facetado: pesquisador, crítico, ensaísta, historiador, professor, roteirista, realizador, ator, romancista, criador de brinquedo infantil. São muitas as formas em que Bernardet demonstrou sua criatividade e sua forma de refletir o mundo em que vivemos. Talvez a mais importante delas seja sua atuação como pensador do cinema feito no Brasil. Como escreve Álvaro Machado, sua obra constitui um dos mais sólidos corpus epistemológicos sobre cinema brasileiro. A referência a seus livros, artigos e ensaios é obrigatória quando se pesquisa a história do cinema, o documentário, o conceito de cinema nacional ou a dramaturgia cinematográfica.

Existe, porém, um outro campo de reflexão desenvolvido por Bernardet mas que ainda é pouco lembrado: seus pensamentos sobre o uso da trilha sonora na obra cinematográfica. Desde seus primeiros escritos, Bernardet não restringiu suas análises fílmicas aos elementos visuais. A relação imagem/som sempre esteve presente. É significativo que Bernardet seja o responsável pela primeira publicação no Brasil de um tomo especialmente dedicado ao som no cinema, na revista Filme Cultura, no. 37 de 1981. Nela há uma pequena introdução sobre a evolução da trilha sonora cinematográfica. Nesse texto, Bernardet já se diferencia de seus pares no olhar/ouvir a relação audiovisual. Seu artigo não se restringe a comentários sobre o uso de música ou da língua como símbolo da nacionalidade e forma de resistência contra o cinema estrangeiro, como em grande parte da discussão que acontecia nas décadas anteriores à publicação. Vai muito além. Bernardet discute a potencialidade do uso expressivo de todos os elementos formadores da trilha sonora. Discute a necessidade de se integrar os autores da trilha musical ainda no início do processo criativo. Discute o que existe além do estilo naturalista que apenas redunda o que é mostrado pela imagem. Discute o uso do silêncio como elemento constitutivo da linguagem cinematográfica. Uma discussão que já pode ser encontrada seus primeiros escritos e continua, ainda hoje, em seu blog na UOL

Recuperar o pensamento da relação imagem/som com ênfase no uso expressivo da trilha sonora cinematográfica pelos olhos e ouvidos de Jean-Claude Bernardet é minha proposta pra a apresentação no Congresso da SOCINE em 2010.

Bibliografia

BERNARDET, Jean-Claude. Caminhos de Kiarostami. São Paulo: Cia. das Letras, 2005.

____. Cineastas e imagens do povo. São Paulo: Cia da Letras, 2003.

____. O autor no cinema. São Paulo: Brasiliense, 1992.

____. O vôo dos anjos: estudo sobre o processo de criação na obra de Bressane e Sganzerla. São Paulo: Brasiliense, 1991.

____. Piranhas no mar de rosas. São Paulo: Studio Nobel, 1982.

____. O que é cinema. São Paulo: Brasiliense, 1980.

____. Trajetória Crítica. São Paulo: Polis, 1978.

____. Cinema Brasileiro: Propostas para uma História. São Paulo: Paz e Terra, 1978.

____. Brasil em Tempo de Cinema. São Paulo: Civilização Brasileira, 1967.

BERNARDET, Jean-Claudee RAMOS, Alcides F. Cinema e História do Brasil. São Paulo: Contexto, 1988.

BERNARDET, Jean-Claude , XAVIER, Ismail e PEREIRA, Miguel. O Desafio do Cinema. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1985.

BERNARDET, Jean-Claude, AVELLAR, José C e MONTEIRO, Ronald. Anos 70: Cinema. São Paulo: Europa, 1980.