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  Título
O som no cinema de animação: Disney do silencioso ao sonoro.
Autor
Ana Luiza Pereira Barbosa
Resumo Expandido
A série Mickey Mouse, produzida pelos estúdios Disney entre os anos de 1927 e 1953, marcou, em seus anos iniciais, a transição entre o cinema de animação silencioso e o sonoro.



Em 1928, a indústria cinematográfica estava absorvendo o impacto dos primeiros longas-metragens sonoros e vivia a expectativa do primeiro longa-metragem inteiramente falado Lights of New York. Em meio a uma crise de falta de distribuidores para sua nova série Mickey Mouse, “Disney percebeu que adicionar som a seus filmes seria uma maneira de fazê-los sobressaírem-se, mas ainda não era óbvio que os filmes sonoros (especialmente desenhos) iriam substituir completamente os filmes silenciosos.” (BARRIER, 2007, p. 58).



Para criar um diferencial que facilitasse a venda de seus filmes, Disney resolveu sonorizar seus dois primeiros filmes do Mickey – Plane Crazy e The Gallopin' Gaucho, enquanto criava o terceiro episódio da série – Steamboat Willie – este último totalmente concebido para som.



Disney sonorizou os primeiros filmes de Mickey como uma tentativa para torná-los vendáveis dentro da novidade dos talkies, “mas sabia que havia um grande salto de tais usos limitados de som para um desenho animado com uma trilha sonora totalmente integrada, em que a animação era sincronizada com música e efeitos sonoros” (BARRIER, 2007, p. 58). A grande percepção de Disney era que “tal integração, e não o som por si só, seria essencial para o sucesso do desenho animado sonoro” (BARRIER, 2007, p. 58). Steamboat Willie não foi o primeiro filme de animação sonoro – o estúdio Fleischer já havia produzido musicais com textos de canções populares com uma bola que pula sobre a letra para a platéia cantar junto – mas nada se comparava à sincronia e integração que Disney conseguiu.



Ao concluir sua experiência bem-sucedida de som sincronizado em Steamboat Willie (1928), Walt Disney estabeleceu em sua produção a proximidade da composição musical com a animação para possibilitar uma criação conjunta, em que “o músico e o diretor trabalhavam juntos de perto na mesma sala, planejando toda a imagem antes de qualquer animador começar a cena” (THOMAS e

JOHNSTON , 1981, p 288). Para Thomas e Johnston, “desde o advento do som até o final dos anos 30, música e animação eram uma coisa só” (1981, p 288). Essa relação estreita exigia esforço tanto dos músicos quanto dos animadores por de certa forma restringir ambos processos de criação. Um dos resultados dessa prática foi o efeito posteriormente conhecido como “Mickeymousing”.



Steamboat Willie (1928) é o primeiro filme desta série a utilizar o som sincrônico, e principalmente, o primeiro a ser concebido como sonoro e não apenas pós-sonorizado, como aconteceu com os filmes Plane Crazy e Gallopin’ Gaucho (ambos de 1927), realizados como silenciosos e posteriormente lançados com trilhas compostas por Carl Stalling sobre os filmes prontos.



O objetivo deste estudo é traçar as principais mudanças ocorridas na narrativa desses filmes a partir da adoção do som sincrônico e as soluções encontradas para o aproveitamento do som como elemento da narrativa.



Foram escolhidos para análise comparativa os filmes Plane Crazy (1927) e Mickey’s Follies (1929).



O primeiro filme, apesar de ter sido lançado como sonoro em 1928, foi realizado no ano anterior sem o uso do som sincronizado. Com isso, ele não deixou de ser silencioso em sua essência, assim como todos os filmes silenciosos que foram “pós-sonorizados”.



O segundo filme está situado em um período marcante da carreira de Disney, após o sucesso de Steamboat Willie (1928), quando os músicos trabalhavam em conjunto com os animadores para a maior integração entre imagem e som.



A comparação entre esses dois filmes possibilitará uma reflexão acerca da valorização da trilha sonora por Walt Disney e a influência de seu processo de criação para outros estúdios, além de estabelecer relações com a produção cinematográfica atual.
Bibliografia

BARRIER, J. Michael. The Animated Man: A Life of Walt Disney. Berkeley: University of California Press, 2007.



CLAIR, René. The art of sound. In: WEIS, Elisabeth & BELTON, John, eds., Film Sound: Theory and Practice. New York: Columbia University Press, 1985.



CURTIS, Scott. The sound of the early Warner Bros. cartoons. In: ALTMAN, Rick (ed.). Sound Theory/Sound Practice. Nova York: Routledge, 1992.



FINCH, Christopher. Art of Walt Disney: From Mickey Mouse to the Magic Kingdoms. Nova York: Harry N. Abrams, 1973.



MALTIN, Leonard. Of Mice and Magic: a History of American Animated Cartoons (Revised and Updated Edition). Nova York: Penguin Books, 1987.



MANZANO, Luiz Adelmo F. Som-imagem no cinema: a experiência alemã de Fritz Lang. São Paulo: Perspectiva/FAPESP, 2003.



THOMAS, Frank & JOHNSTON, Ollie. Disney Animation: The Illusion of Life. Nova York: Abbeville Press, 1981.



WELLS, Paul. Understanding Animation. Londres & Nova York: Routledge, 1998.