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  Título
A ADAPTAÇÃO
Autor
Luiz Antonio Luzio Coelho
Resumo Expandido
A adaptação, seja ela observada no cinema ou em qualquer outro meio, vem problematizar a questão dos “diálogos” e trocas entre elementos de linguagem e tecnologia. Pressupõe um processo transitivo que começa ou se refere a um desses aspectos, mas que, necessariamente imbrica os dois.

Desde as dificuldades com que estamos familiarizados em relação à tradução de textos de uma lingua para outra, a questão da adaptação vem sendo colocada de maneira mais evidente em outras áreas do conhecimento. As dúvidas invariavelmente recaem sobre as formas de se passar a expressão de um relato de uma para outra mídia ou sobre como mudar o estilo retórico sem se perder sentidos sutis do original. Surgem , então, questões sobre como traduzir um soneto ou transformar verso em prosa. Plaza, por exemplo, lida com o problema quando se refere à tradução intersemiótica e examina a passagem entre lexias, sobretudo a partir de seu trabalho artístico, enfocando a passagem entre um texto em linguagem verbal para a visual. A adaptação consiste, portanto, em questão bastante antiga.

Mas a discussão em torno das transposições de obras literárias para a tela tem suscitado novos ângulos de investigação e, hoje, encontra-se em um espaço teórico que vem nos trazendo outros aspectos ainda não tratados. Os estudos da cultura, por exemplo, vieram nos colocar diante da questão da transição intercultural. Na realidade, falar hoje da passagem de um texto da literatura para o cinema pressupõe discutir conceitos e noções que se entrelaçam e que dizem respeito a diferentes aspectos dessa mesma problemática.

Além das questões levantadas por Plaza na intersemiose e por autores dos Estudos Culturais, outros autores e áreas de estudo nos chamam a atenção para termos como trans e intertextualidade; trans e intirmedialidade; trans e interculturalidade e transversalidade. Cada qual tratando de diferentes aspectos da problematização da adaptação. É o caso do contexto teórico que trabalha com a fruição e espectatorialidade. Neste particular, trazemos considerações da Estética da Recepção e da Reader-Response Theory, bem como o que nos apresenta a Media Ecology, esta última lidando com o modo de abordagem do texto, ou Conditions of Attendance. Em relação à fruição, temos subjacente a questão da leitura no ato da adaptação e no ato da fruição, em cujo contexto—e a partir de uma postura contemporânea de recepção—pressupõe-se uma negociação entre leitor e texto. A dialógica também é trazida para discutirmos a questão de convivência de diferentes vozes do texto, diferentes pontos de vista, seja em termos opinativos, seja em termos de enquadramento ou da adoção da primeira ou terceira pessoa no relato.

Bibliografia

JAUSS, Hans Robert. Toward an Aesthetic of Reception. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1983.



PLAZA, Júlio. Tradução intersemiótica. Coleção Estudos, Nr.93. São Paulo: Perspectiva (Coleção Estudos Nr. 93), 1987. (passagem entre diferentes mídias, códigos e linguagens)



SÄCKEL, Sarah, GÖBEL, Walter and HAMDY, Noha. Semiotic Encounters: Text, Image and Trans-Nation. Amsterdam: Editions Rodopi B.V., 2009.



STAM, Robert. Bakhtin: da teoria literária à cultura de massa. São Paulo: Ática, 1992.



STRATE, Lance, Understanding MEA, In Medias Res 1 (1), Fall 1999.



TOMPKINS, Jane P. (ed.). Reader-response Criticism. From Formalism to Post-structuralism. Baltimore, MD: The Johns Hopkins University Press, 1994.