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  Título
Modos de subjetivação no cinema e na arte: um olhar sobre as instalações
Autor
Victa de Carvalho
Resumo Expandido
Modos de subjetivação no cinema e na arte: um olhar sobre as instalações de Eija-Liisa Athila



O cenário atual das instalações artísticas nos apresenta uma profusão de obras que se constituem a partir de experiências que escapam das estratégias de condicionamento previstas pelos dispositivos convencionais por elas acionados. Cada vez mais, os artistas apostam no livre trânsito entre o cinema e as artes-plásticas – linguagens, suportes, temporalidades e subjetividades – apresentando suas obras através de dispositivos que atravessam os limites sempre provisórios entre cinema experimental, vídeo-arte e novas mídias.



A recorrente multiplicação de obras cinematográficas expostas em museus e galerias nos permite refletir sobre possíveis mudanças nas instituições cinema e arte, e nos regimes de representação e observação historicamente implicados. Não se trata aqui de simplesmente identificar uma subversão dos modelos institucionais, nem de apontar um suposto rompimento com os padrões de representação, mas de questionar as possibilidades de imagem e de sujeito nas instalações atuais.



Nossa intenção com o artigo será conduzir uma reflexão sobre a produção de subjetividade na experiência artística e cinematográfica contemporânea através de diferentes propostas apresentadas pela artista finlandesa Eija-Liisa Athila. Seu trabalho explora tanto estratégias do Cinema Experimental quanto proposições do Cinema Moderno a partir de obras que mostram dificuldades de comunicação, crises nos relacionamentos, transtornos perceptivos e a quebra de normas de comportamento. Seus "dramas humanos" permeiam questões sobre identidade, subjetividade e os limites do eu e do outro em situações onde realidade e ficção não podem ser separadas. A artista constrói suas obras sobre uma constante tensão provocada pelo confronto dos personagens consigo mesmo, com suas histórias, e pelas disjunções de falas, acontecimentos, papéis e dispositivos. Se os trabalhos de Eija-Liisa Athila demandam novos olhares sobre o cinema e a arte, é preciso identificar quais os deslocamentos propostos e as modalidades de subjetivação em jogo.



As relações entre os trabalhos de arte aqui apontados e suas possibilidades de produção de diferença serão formuladas a partir do pensamento de Foucault sobre o dispositivo e a subjetivação. Importa, nesse contexto, pensar a subjetivação - a partir das estéticas da existência e das escritas de si - como resistência aos códigos e aos poderes de um dispositivo. Partimos de uma análise das obras de Eija-Liisa Athila para pensar os modos de subjetivação hoje, no cinema, nas galerias e nos museus.

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