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  Título
Um olhar brasileiro e poético sobre a Bósnia
Autor
Esther Hamburger
Resumo Expandido
Essa apresentação analisa o filme Pedra Bruta de Júlia Zákia, um curta de 8 minutos, a partir do material filmado durante estudo para realização do longa “Ao Relento” em Mostar, Bósnia. A idea é discutir como, sem recurso ao discurso politico, sem sangue, explosões, ou corpos machucados, sem o uso da palavra, com música e ruídos locais, e belas imagens filmadas pela diretora, que também é fotógrafa e montadora do filme, esse trabalho se contrapõem a Guerra. Pedra Bruta é parte de uma tendência emergente de documentários poéticos transnacionais que resultam da intersecção entre as artes visuais e o cinema e o audiovisual. Vinda do cinema e filmando na Bósnia, o trabalho de Júlia abre novas perspectivas para o cinema brasileiro.



O filme documenta o encontro entre a diretora, a atriz brasileira Georgette Fadel e a musicista Bósnia Amela Vucina. Zakia, Fadel e Vucina se encontraram por acaso em Mostar, cidade natal de Vucina, que foi bastante atingida pela Guerra. Zakia viveu na Bósnia por um ano, aprendeu a falar a lingual, trabalhou em programas de radio e documentários, além de redigir a primeira versão do longa de ficção, uma estória em tom de fábula sobre ciganos, que se passa no nordeste brasileiro e na Bósnia. Durante esse ano, Júlia recebeu a visita da amiga e atriz do filme, Geordette Fadel. Juntas, viajaram na Sérvia e na Bósnia, filmando. O encontro das duas com a pianista foi forte, estimulou a performance filmada e abriu parceria que continua na versão longa do trabalho, que terá música original da pianista Bósnia.



O filme não trás informação sobre esse processo de feitura. Ele não apresenta personagens. Não é narrativo. O trabalho começa com imagens em HD da performance ao piano e da perfance corporal em uma sala de música de escola infantil local. Vemos Vucina ao piano e acompanhamos os movimentos do corpo de Fadel. Enquanto a música continua, há um corte para imagens captadas em super-8, em outro momento e em outro espaço. Seguimos a perambulação de Fadel através de prédios abandonados e ruínas vazias. O filme não possui diálogos. As três mulheres artistas trabalham juntas na feitura do filme, o que por si só sugere a possibilidade de “viver junto” , para citar Barthes e o mote que inspirou a 27ma Bienal de São Paulo.

Bibliografia

Bernardet, J.C. 2003. Cineastas e Imagens do Povo. São Paulo: Cia das Letras.

Barthes, R. 2003. Como viver junto. Aulas e Seminários no College de France (1976-77). Sao Paulo: Martins Fontes.Labaki e Mourao. 2005. Cinema do Real. Sao Paulo: Cosac Naify.

Lagnado, Lisette. 2006. “In love and in adversity” In 27th Bienal de São Paulo. Lagnado e Pedrosa (orgs). São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo. 61-68.

Lins, C. and Mesquita, C. (2008). Filmar o Real. Rio de Janeiro: Zahar.

Machado, Rubens. 2005. “O cinema experimental no Brasil e o surto superoitista dos anos 80”. In: Axt, Gunther, Schuler(orgs) 4xs Brasil: Itinerários da Cultura Brasileira.

MARTINS, José de Souza. "Exclusão Social e a Nova Desigualdade". São Paulo:Paulus, 2007.

Nichols, B. (2001) Introduction to Documentary. Bloomington: University of Indiana Press.

Ramos, F. (2008). Mas afinal... o que é mesmo documentário? (São Paulo, Editora SENAC.

Renov, M. (Ed) (2004). The Subject of Documentary. Minneapolis: University of Min