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  Título
OUTRAS FRUIÇÕES DO CINEMA NA ESCOLA, DO ENCANTAMENTO À EDUCAÇÃO BÁSICA E VICE VERSA
Autor
Gisela Pascale de Camargo Leite
Resumo Expandido
Na tentativa de minimizar as fronteiras entre o aprendizado científico e o cotidiano, as escolas se deparam com uma cultura onde todos dizem a regra, computadores, games, outdoors, t-shirts, televisão e muita informação onde nada escapa ao seu didatismo do prazer. Partindo desse pressuposto o aprendizado cotidiano cada vez mais sofisticado que o aprendizado escolar pelas mídias se mantém como regra não apenas de consumo cultural, mas também de processo criativo. O tema cinema e educação não é nenhuma novidade, mas pensando numa educação que tenha como princípio o processo de criação com maior liberdade artística e de maneira benjaminiana de uso das técnicas, caberia uma reflexão sobre o que Bergala (2008) sustenta. Sua hipótese é de que o cinema pode entrar na escola como um “outro” que vem enriquecer as rotinas e estruturas escolares sem se propor a ensinar, mas a “fazer arte”, cuja alteridade radical deve ser experimentada. Segundo o autor fazer cinema na escola é um elemento de inovação em meio a práticas tradicionais bastante enraizadas e pouco dadas às mudanças. Essa prática possibilita a mediação das relações sociais do cotidiano dos jovens como uma forma de aprendizado de si mesmo no outro. A mediação aqui seria o processo de criação, recomposição e não mera transposição de ensino bancário. Trata-se de outras fruições do cinema diferenciadas do modelo de representação acostumado a dar sentido em análises de discursos que pensam saber mais que o próprio filme e o próprio olhar do jovem sobre suas vivências. O cinema de Godard, na visão de Daney (1976), ao consistir uma pedagogia de não parar de voltar às imagens e aos sons, de designá-los, duplicá-los, comentá-los, abismá-los criticá-los como a tantos enigmas insondáveis faz do cinema um ato criativo no expectador. O fazer parte da construção de um filme possibilita um uso não instrumentalizado do cinema na escola onde o beneficiário dessa "transferência" de exibição de imagens possa fazer parte de uma nova forma de aprendizado que seja menos (ob)cena também enquanto “espetáculo" não só aproximando do “real”, mas de um real a ser transformado. Partindo dessa premissa pode-se pensar na perspectiva da aprendizagem com o cinema que se dá em três tempos – aprender, desaprender e reaprender –, proposta por Fresquet (2008). Entende-se que o filme em sala de aula não será constatado como representação de uma realidade dada como tal, ele será re-apresentado e experimentado em outra fruição.
Bibliografia

BERGALA, Alain. A Hipótese – Cinema Pequeno tratado de transmissão do cinema dentro e fora da escola. Rio de Janeiro. BookLink. 2008

DANEY, Serge. Cahiers du Cinema. P. 262-263, 1976 tradução de Tatiana Monassa. Publicado em: http://www.contracampo.com.br/75/terrorizado.htm

FRESQUET, Adriana Mabel. Fazer cinema na escola: pesquisa sobre as experiências de Alain Bergala e Núria Aidelman Feldman – UFRJ GT-16: Educação e Comunicação, ANPED 2008.