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  Título
Estética do improviso no cinema de periferia
Autor
Gustavo Souza
Resumo Expandido
No final dos anos 1990 e início dos anos 2000, enquanto o público, a crítica e os profissionais viam o crescimento da produção de cinema no Brasil, moradores de subúrbios, favelas e periferias começavam a experimentar outra forma de contar histórias: com filmes e vídeos realizados em oficinas de cinema e audiovisual espalhadas por diversas cidades brasileiras. Essa produção é caracterizada por uma diversidade de formatos, narrativas, temáticas e opções estéticas. Tendo em vista essa amplitude, neste trabalho centro as atenções na composição estética de alguns filmes de modo a identificar um projeto estético recorrente ao cinema de periferia. Desse modo, por meio das análises dos documentários Super gato contra o apagão (Kinoforum, 2002) e Como se rouba a cena no cinema (Kinoforum, 2006), observa-se uma significativa presença do improviso – da tomada, das condições de produção, da existência – que se constitui naquilo que denomino estética do improviso, que seria um aspecto estético importante dessa produção. Se, como postula Aumont e Marie (1989), o trabalho da análise fílmica é fazer o “filme falar”, não se pode esquecer que um filme não existe por si, dissociado de suas condições de realização e circulação. Isso significa que cada um desses dois documentários aciona um processo analítico – imagem, montagem, som, depoimentos, narrações ou a combinações dessas possibilidades –, indicando a especificidade de cada análise. Esse encaminhamento será útil para a apreensão de que modo tal estética materializa no espaço fílmico a condição improvisada da vivência e as condições materiais e as metodologias de cada coletivo de produção ou oficina.
Bibliografia

ARDENNE, Paul. Un art contextuel. Création artistique en milieu urbain, en situation, d’intervention, de participation. Paris: Flammarion, 2002.

AUMONT, Jacques & MARIE, Michel. L’analyse des films. Paris: Nathan, 1989.

BAKHTIN, Mikhail & VOLOSHINOV, V. N. Freudianism: a marxist critique. Nova York: Academic Press, 1976.

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GERVAISEAU, Henri. O abrigo tempo. Abordagens cinematográficas da passagem do tempo e do movimento da vida dos homens. Rio de Janeiro: Escola de Comunicação/UFRJ, 2000. Tese de doutorado.

HILDERBRAND, Lucas. Experiments in documentary: contradiction, uncertainty, change. Millennium Film Journal. Nova York, nº 51, 2009, p. 2-10.

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