/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
O autor em filmes de baixíssimo orçamento (2004-2009)
Autor
Carlos Gerbase
Resumo Expandido
A característica objetiva que une os dez filmes (5 do Brasil e 5 da França) analisados nesta pesquisa é o baixíssimo orçamento. Todos os títulos estão entre os mais baratos realizados no Brasil e na França, entre 2004 e 2009, considerando seus respectivos anos de produção. No mais, são obras bastante diversas, de dois países diferentes. São sete ficções e três documentários. Duas produções rodadas em película, sete em vídeo, uma com telefone celular. As idades de seus diretores se espalham numa ampla faixa etária (entre 28 e 74 anos). Alguns são estreantes e quase desconhecidos em seus países, outros têm mais de dez longas em seus currículos e um nome respeitado pela crítica e pelo público. Há diretores que sempre realizaram filmes de baixo ou baixíssimo orçamento, outros que já estiveram à frente de produções mais ambiciosas. Há diretores homens e mulheres. Todos os títulos participaram de festivais e foram lançados em salas de cinema e em outros suportes. Seus desempenhos junto à crítica e na bilheteria, contudo, são variados. Enfim, é uma amostragem que, com exceção do baixíssimo orçamento, é de filmes desiguais, e este fato é muito importante para a pesquisa.



Na hipótese desta pesquisa, a autoria nestes filmes nasce pela acúmulo de funções pelo diretor. Este acúmulo acontece independente da sua idade, gênero, experiência, do tipo de filme que está realizando (ficção ou documentário), ou do status do diretor junto à crítica. É algo que emerge, independente das características pessoais do diretor, tanto por vetores econômicos (o orçamento), quanto por vetores estéticos (a pretensão autoral). Como discutiremos mais tarde, esta separação (vetores econômicos x pretensão autoral) nem sempre é detectável. Há motivos econômicos que se transformam em estéticos,e motivos estéticos que viram econômicos.



Uma simples verificação preliminar mostra que o acúmulo de funções acontece regularmente e em grande quantidade. Não se trata apenas da clássica soma roteiro e direção, que costuma acontecer em filmes autorais de qualquer orçamento, inclusive em Hollywood. Em nosso corpus, há um acúmulo quase sistemático de direção, roteiro e produção, mas várias das outras funções principais (atuação, fotografia, edição, som) são, em menor ou maior grau, assumidas pelo diretor. A pesquisa pergunta: o que isso significa?

Bibliografia

AUMONT, Jacques & MARIE, Michel. Dicionário teórico e crítico de cinema. Campinas: Papirus, 2008

FOUCAULT, Michel. O que é um autor? [s.l.]: Vega, 2000

VIDAL, Gore. De fato e de ficção; ensaios contra a corrente. São Paulo: Companhia das Letras, 1987

AUGROS, Joël. O cinema francês no fio da navalha? In: MELEIRO, Alessandra (org). Cinemas no mundo: indústria, política e mercado; Europa; volume V. São Paulo: Escrituras, 2007

BERNARDET, Jean-Claude.   O autor no cinema: a política dos autores; França, Brasil, anos 50 e 60. São Paulo : Brasiliense, 1994

CRETON, Laurent. Le cinema et l'argent. Paris: Nathan, 2000

FIGGIS, Mike. Digital Film-making. New York: Faber and Faber, 2007

FOREST, Claude. Economies contemporaines du cinema en Europe: L'improbable industrie. Paris: CNRS Editions, 2001