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  Título
Traduções intersemióticas em Gabriela (1983)
Autor
Carla Conceição da Silva Paiva
Resumo Expandido
O meio cinematográfico brasileiro apresenta uma longa tradição de “adaptações” de obras literárias. Homônimas ou não, essas “releituras” buscam, na maioria das vezes, uma correspondência imediata e pontual entre a “história original” expressa no suporte literário e as imagens e sons “construídos” a partir da “leitura” do diretor e de sua equipe de produção. Segundo Ismail Xavier (2003), é natural que exista uma distância entre ambos os meios e suas respectivas produções, já que tais suportes possuem suas especificidades: o literário apresenta as propriedades sensíveis do texto, enquanto o cinema faz uso da fotografia, do ritmo da montagem, da trilha sonora, da composição das figuras visíveis das personagens, entre outros expedientes. Essa presença da literatura no cinema nos despertou para a verificação das potencialidades que fazem com que essas linguagens tão distintas se aproximem, buscando compreender as possíveis formas de transposições existentes entre essas duas linguagens. Júlio Plaza (2003) afirma que a arte se apresenta como uma “técnica” de materializar sentimentos e qualidades e se situa na urdidura indissolúvel entre autonomia e submissão do artista à linguagem, às circunstâncias escolhidas por ele mesmo e a época em que se encontra. Assim, para que se realize uma tradução intersemiótica entre diferentes sistemas de signos, como o cinema e a literatura, por exemplo, é necessário observar as relações existentes entre os sentidos, os meios e os códigos envolvidos no processo. Isso porque cada sistema de signos se constitui de acordo com sua característica, que possibilita sua articulação em conjunto com os órgãos emissores-receptores (sentidos humanos). Mas, como não somos somente sujeitos. Somos também objetos do mundo no mundo. Ao perceber o mundo, percebo-me dentro dele. Consequentemente, emitimos uma distinção do mundo que conhecemos e o mundo que sentimos. Essa distinção entre o que se sabe e o que se sente é fundamental para a captação do real, pois constitui a diferença entre a síntese dos estímulos do passado, arquivada na memória do eu, e o conflito “ao vivo” do presente, o não-eu. Assim, sinestesia e memória são os dois dispositivos que nos permitem estabelecer uma comunicação adequada com o nosso meio ambiente e que nos permitem estabelecer as chaves culturais pertinentes que interferem na tradução intersemiótica, como trânsito de meios e canais: papel-tela, literatura-cinema, escrita-oralidade etc (PLAZA, 2003). Partindo desses pressupostos, pretendemos construir bases teóricas para pensar o percurso e a “visão estética” do diretor enquanto leitor de uma obra literária e suas conseqüentes escolhas na produção audiovisual. Para tanto, focaremos nossa atenção nos estudos de Júlio Plaza sobre a tradução intersemiótica e nas reflexões de Wolfgang Iser (1996) sobre o ato da leitura e o efeito estético, priorizando a análise fílmica de Gabriela (1983), dirigido por Bruno Barreto.
Bibliografia

DUARTE, Letícia Henrique. Prostituição: a representação na telenovela. Um olhar sobre Capitu em laços de família. Trabalho de conclusão de curso no Bacharelado em Comunicação Social. Juiz de Fora, MG: Universidade Federal de Juiz de Fora, 2008.



ISER, Wolfgang. O ato da leitura: uma teoria do efeito estético. São Paulo: Editora 34, 1996.



MULVEY, Laura. Prazer visual e cinema narrativo. In: XAVIER, Ismail. (Org.). A experiência do cinema: antologia. Rio de Janeiro: Graal, 1983.



PLAZA, Julio. Tradução Intersemiótica. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2003.



SOUZA, Lícia Soares de. Literatura e cinema: traduções intersemióticas. Salvador: Eduneb, 2009.



XAVIER, Ismail. Do texto ao filme: a trama, a cena e a construção do olhar no cinema. In: ______. Literatura, cinema e televisão. São Paulo: Editora Senac e Instituto Itaú Cultural, 2003.