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  Título
Langue e imagem: aporte do design no estatuto da língua do audiovisual
Autor
Luiz Antonio Luzio Coelho
Resumo Expandido
A área teórica que marcou a preocupação com a dimensão linguística do audiovisual – particularmente em relação ao cinema – foi, sem dúvida, a Semiótica em meados do século passado. Antecedentes dessa busca são observados já nas primeiras décadas daquele século, na vanguarda soviética, através da incursão pela teoria da montagem empreendida por Eisenstein e da busca por uma sintaxe do filme explorada por Vertov, Kuleshov e Pudovkin. Houve momento em que o tema mereceu debates contínuos e passou por uma efervescência de novas posturas teóricas. Christian Metz, autor de um trabalho que assenta as bases da semiótica do filme, vai afirmar que o cinema constituía uma linguagem sem língua, o que, obviamente, suscitou novas ponderações sobre a natureza da linguagem proferida pela imagem em movimento. Esse debate chegou a um certo consenso e a uma fase mais tranquila, em que se passou a reconhecer a linguagem facultada pela imagem do audiovisual, porém como um sistema sui generis, distanciado das condições saussureanas para o reconhecimento de uma língua madura, com sua dimensão de langage e de langue. Por outro lado, com o aparecimento de novas mídias a partir da segunda metade do século, culminando com a proliferação de meios e a fusão de tecnologias, outras áreas, como o design, começaram a indagar sobre características das linguagens visuais, sobretudo porque se tinha ali o propósito de definir as identidades do projetista, cliente ou usuário através dos atributos da forma, seja no objeto, seja na imagem. O design da informação, por exemplo, trouxe a preocupação com o uso preciso da linguagem visual em instruções técnicas ou sistemas de comunicação em situações emergenciais. Aqui se cogitava em buscar analogias ao sistema da linguística através da imagem estática, como aquela desenvolvida para os quadrinhos. Posteriormente, a discussão ampliou-se para incluir as formas dinâmicas da imagem representadas pela televisão, computador, jogos eletrônicos, entre tantas mídias hoje conhecidas. Surgiram perguntas sobre a unidade mínima de sentido definida pela configuração do objeto, ou sobre a possibilidade de o ponto, a retícula, a cor, a textura, o contraste, ou a figura e fundo terem a capacidade de constituir elementos paradigmáticos capazes de, à semelhança da língua oral, constituir, de maneira mais ou mesmo estável, sintagmas visuais. Surgiram, ainda, questões sobre letramento visual à semelhança do que se pensa em relação ao letramento alfabético. O que parece, entretanto, representar uma contribuição concreta do design nessa reflexão – algo que vai implicar a produção visual em geral, estática ou dinâmica – está nos princípios que norteiam o projeto do design, possuidor de feições particulares, que o diferem não somente de um projeto de produção tradicional do audiovisual, como a produção cinematográfica, mas também de um projeto de arquitetura ou engenharia. Cada profissão caracteriza-se por suas preocupações conceituais e objetivos específicos, que se desenvolvem a partir de jargão e metodologias próprios. Tal especificidade resulta no olhar particular do profissional. Por exemplo, a preocupação que o designer teria no projeto de um objeto de cena seria de natureza distinta daquela projetada por um cenógrafo ou artista plástico que não teve a mesma formação. Em nenhum momento aqui se quer afirmar que o tipo do olhar é superior ao de outro ou que, pela mesma razão, um projeto rende melhor que outro através da compreensão da linguagem visual utilizada por este ou aquele profissional. O que se pretende como hipótese é que os olhares se complementam. Conhecer a especificidade de cada olhar e de como determinada área visual compreende sua linguagem, deve enriquecer a outra em uma relação de complementaridade. Compreender como nuances de sentido podem ser alcançadas através da compreensão das linguagens visuais, com certeza traria melhor rendimento aos trabalhos das diferentes áreas.
Bibliografia

CARTER, Curtis L. (1972) Syntax in Language and Painting, The Structuralist, v. 12, p. 45-50.

COELHO, Luiz Antonio L. Sobre a dimensão linguística da imagem. In: ABADARADAL, José Renato (org). Imagem e Pensamento. 2011 (no prelo).

DARRAS, Bernard. Au commencement était l’image. Du dessin de l’enfant à la communication de l’adulte. Collection Communication et complexité. Paris: ESF éditeur, 1996.

EISENSTEIN, Sergei M. Film form [and] The film sense. Cleveland: World Pub. Co., 1967.

HARRIS, Roy. Reading Saussure: A Critical Commentary on the Cours De Linguistique Générale. Norwood, NJ: Ablex, 1987.

HELLER, Steven & POMEROY, Karen (org.). Design Literacy. New York: Allworth Press, 1997.

METZ, Christian. Langage et cinema. Paris: Larousse, 1971.

MULLER, Jurgen E. “langage sans langue”, langue, Semiotics of Cinema, Semiotik des Films, Film Theory, Montage a/v (http://psychology.jrank.org/pages/2017/film-semiotics.html, em 15/03/2011)