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  Título
A presença como forma nas instalações contemporâneas
Autor
Katia Valeria Maciel Toledo
Resumo Expandido
Estados de presença nas instalações contemporâneas 1o estado A imagem em si O estado contemplativo Considero a contemplação como a partilha da duração entre o espectador e a obra. Algumas instalações propõem ao visitante uma situação quase meditativa ao alinhar seu corpo entre as imagens e produzir um foco determinado que esvazia a mente do espectador de outros sentidos que não aquele do que se vê, do que se ouve, do que se sente na duração contida na arquitetura projetada, neste estado a percepção coincide com o objeto sensorial percebido, ou seja, com a obra proposta. A instalação Entre-margens, concebida por André Parente, adaptada do conto de Guimarães Rosa A terceira margem do rio, propõe este estado contemplativo ao visitante. 2 estado A imagem como resposta Algumas instalações contemporâneas colocam a possibilidade do visitante modificar a imagem que assiste, ou seja, a participação como meio de agir e reagir ao que se vê, compondo a forma desta imagem. Neste estado a presença integra uma forma narrativa mínima. Em uma série de instalações interativas que desenvolvo desde 2001 o visitante participa da imagem que surge como resposta a sua presença. Comento a seguir uma seleção dessas instalações afim de repertoriar uma série de experiências que considero como narrativas mínimas, em que uma situação é proposta a partir de um só gesto do participador. Ondas: Um dia de nuvens listradas vindas do mar Um dia de nuvens listradas vindas do mar é a frase que James Joyce narra em o Retrato do artista quando jovem como a primeira que o faz se pensar como um possível escritor. Ele pensa o “erguer e o tombar” rítmico das palavras. A palavra onda designa ao mesmo tempo o movimento do mar e a pulsação da energia. Aproximamos esses dois sentidos por meio de uma instalação interativa. A instalação (2006) integra duas projeções e o visitante. Na tela frontal, são projetadas as ondas do mar e no piso, a areia da praia sem movimento. Ao pisarmos na imagem da areia acionamos os sensores disparando outras projeções, também sincronizadas, que substituem as duas primeiras. O que vemos, então, na tela frontal é o acúmulo das ondas no sentido vertical, até que a tela fique cheia como um copo que enchemos de água. No piso estamos sobre as projeções da intensidade de ida e volta de cada onda. Uma tela transborda sobre a outra. É o passo do visitante que ativa o somar das ondas, a energia e o ambiente de um mar imersivo que o inunda de azul. O som do mar contribui com a sensação de mergulho do corpo produzido pela instalação. Infinito fim Sucessão de portas se abrem e se fecham pela aproximação ou afastamento do visitante. O que vemos primeiro nesta instalação interativa (2008) é uma porta projetada e ao nos aproximarmos ela se abre e outra dentro dela e outra e outra. Diante de um corredor infinito nos retiramos e imediatamente todas as portas se fecham. À sombra A instalação intitulada À sombra (2010) consiste de seis projeções, divididas em jardim (nas quatro paredes), céu (no teto) e areia (no piso), e de uma projeção de uma copa da árvore. Todas são imagens do Jardim Botânico do Rio de Janeiro O visitante, ao sentar-se no banco colocado perto de uma das projeções, aciona, por meio de sensores de presença, a imagem do vídeo, que produz uma sombra sobre ele. Trata-se, portanto, de um ambiente imersivo, produzido pela sobreposição da projeção à presença do espectador. O trabalho opera com uma inversão da ação que experimentamos na busca por uma sombra, na instalação é a sombra que caminha em nossa direção. Sentar à sombra é o gesto mínimo desta instalação. 3 estado A imagem como diálogo Neste terceiro estado, a presença aciona e produz a experiência in situ, não há o controle por parte do sistema do que é gerado por uma presença que cria o diálogo com as imagens. e a obra abriga, ainda, a relação entre os próprios espectadores como nas imagens de Antony Mccall.
Bibliografia

BASBAUM, Ricardo. Arte contemporânea brasileira, Editora Contracapa, Rio de Janeiro: 2001. CASARES, Adolfo Bioy. A invenção de Morel, Editora Cosac Naify, São Paulo: 2006. DUBOIS, Philippe. Cinema, vídeo e Godard, Editora Cosac Naify, São Paulo: 2004. LISPECTOR, Clarice. A paixão segundo G.H, Editora Rocco, Rio de Janeiro: 1964. MACIEL, Katia (org). Transcinemas, Contracapa, Rio de Janeiro: 2009. MACIEL, Katia (org). A Cinema sim, Itaucultural, São Paulo: 2008.