/ / / / / / / / / / / / / /      Anais Digitais      / / / / / / / / / / / / / /

  Voltar para a lista
 
  Título
A invasão zumbi no audiovisual independente latino-americano
Autor
Alfredo Luiz Paes de Oliveira Suppia
Coautor
Lúcio Reis Filho
Resumo Expandido
O presente trabalho propõe comentar a “invasão” dos zumbis na cinematografia latino-americana contemporânea, traçando suas origens, inspirações e particularidades estéticas. Uma das fontes dessa “invasão”, cremos, seria a obra do cineasta americano George A. Romero. Luciano Saracino (2009, p. 40) destaca a grande importância de Romero para o gênero do horror, enquanto José Manuel Cueto (2009), Peter Dendle (2001) e Tania Krzywinska (2008) sinalizam as influências que "A Noite dos Mortos-Vivos" ("Night of the Livind Dead", 1968) tem exercido sobre as mais diversas mídias. O alcance do primeiro filme de Romero na cultura popular é de tal ordem que os seus ecos podem ser identificados no cinema, na literatura, nos quadrinhos e nos jogos eletrônicos. Na literatura contemporânea, José Manuel Cueto (2009, p. 33) aponta, entre outras, as obras "Cemitério Maldito" ("Pet Sematary", 1983) e "Celular" ("Cell", 2006), de Stephen King, como representantes da tradição zumbi. No cinema, por sua vez, filmes recentes tem proposto releituras da temática, muitas delas pautadas na premissa do escape de vírus desconhecidos enquanto agente da epidemia dos mortos-vivos. Nos últimos anos, foram lançadas produções como "Extermínio" ("28 Days Later", 2002), de Danny Boyle, e o espanhol "[Rec]" (2007), de Jaume Balagueró e Paco Plaza, e suas respectivas continuações: "Extermínio 2" ("28 Weeks Later", 2007), de Juan Carlos Fresnadillo, e "[Rec] 2" (2009). Nesse cenário, também destacam-se os cômicos "Shaun of the Dead" (2004) e "Zombieland" (2009). O conceito fundado por Romero também tem servido de inspiração para demais diretores do cinema independente, como Eli Roth, de "Cabana do Inferno" ("Cabin Fever", 2002), e Robert Rodriguez, de "Planeta Terror" ("Planet Terror", 2007). Mais ecos da obra romeriana podem ser ouvidos no audiovisual independente latino-americano. Nesse sentido, é importante destacar a produção argentina "Plaga Zombie" (1997), de Pablo Parés e Hernán Sáez, e os brasileiros "Minha Esposa é um Zumbi" (2006), de Joel Caetano, "Era dos Mortos", de Rodrigo Brandão, "Capital dos Mortos", de Tiago Belotti (ambos de 2007), e "Mangue Negro" (2008), de Rodrigo Aragão, entre outros títulos. Nossa proposta é examinar detidamente uma seleção de “aparições” do zumbi na produção audiovisual independente contemporânea da América Latina, com o objetivo de identificar suas raízes, interrelações e peculiaridades formais, econômicas e do ponto de vista da recepção.
Bibliografia

CUETO, José M. Serrano. Zombie evolution: el libro de los muertos vivientes em el cine. Madrid, España: T&B Editores, 2009.

DENDLE, Peter. The zombie movie encyclopedia. Jefferson, NC: McFarland, 2001.

HERVEY, Ben. Night of the living dead. New York: Palgrave Macmillan, 2008.

HOBERMAN, J. ROSENBAUM, J. Midnight movies. New York: Da Capo, 1983.

KRZYWINSKA, Tanya. Zombies in gamespace: form, context, and meaning in zombie-based video games. In: McINTOSH, Shawn, LEVERETTE, Marc (eds.). Zombie culture: autopsies of the living dead. UK: Scarecrow Press, 2008.

MADDREY, J. Nightmares in red, white and blue: the evolution of the American horror film. Jefferson, NC: McFarland, 2004.

PHILLIPS, Kendall. “Night of the Living Dead” (1968). In: Projected fears: horror films and American culture. London: Greenwood, 2005, p. 81-100.

SARACINO, Luciano. Zombies!: Una enciclopedia del cine de muertos vivos. Buenos Aires: Fan Ediciones, 2009.