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  Título
De Hiroshima a Marienbad: breve percurso da crítica brasileira
Autor
Alessandra Souza Melett Brum
Resumo Expandido
A “revolução” de Hiroshima Meu Amor ampliou a expectativa em torno de um novo filme de Alain Resnais. Os rumores de que a “revolução” continuaria no segundo longa-metragem de Resnais e de que ele seria ainda mais audacioso, chegou por aqui ainda durante a exibição de Hiroshima Meu Amor. Mas, a crítica ainda teria que esperar por dois anos para avaliar seu segundo longa-metragem.

No Brasil, assim como Hiroshima Meu Amor, O Ano Passado em Marienbad, nas palavras de Pedro Lima, veio “precedido de muitos elogios, sendo ao mesmo tempo defendido e combatido” (LIMA, 1962). Marienbad estreia na cidade do Rio de Janeiro no dia 30 de maio de 1962 nos cinemas Plaza, Paris-Palace, Astória, Olinda, Mascote e Paissandu, permanecendo em cartaz até o dia 08 de junho. O curto período de exibição suscitou reclamações por parte da crítica que viu no tempo de apenas uma semana um descaso da rede exibidora e também da distribuidora, a empresa Franco-Brasileira. Em São Paulo, o lançamento do segundo longa de Resnais foi marcado por uma avant-première organizada pela Sociedade dos Amigos da Cinemateca Brasileira em 14 de setembro de 1962. A exibição contou com a presença do roteirista Alain Robbe-Grillet. Robbe-Grillet, no dia anterior, proferiu uma conferência no auditório da União Brasileira dos Escritores com o tema “Romance Novo e Cinema”. A cidade mineira de Belo Horizonte só conheceria o filme em janeiro de 1963 através de uma avant-première promovida pelo CEC/MG.

As reações críticas ao filme O Ano Passado em Marienbad, assim como em Hiroshima Meu Amor, não encontraram unanimidade. Moniz Vianna, em artigo publicado no Correio da Manhã, lembrou que o segundo longa de Resnais era tão esperado como foi Hiroshima Meu Amor, mas com a diferença de que agora já haviam “dois partidos” formados. Mas o interesse pelo novo filme de Resnais não parece ter sido o mesmo despertado quando da exibição de Hiroshima Meu Amor. Nesse momento, o cinema brasileiro passa por uma nova fase, tanto no que diz respeito às novas produções de filmes quanto de um movimento de ideias que culminará em publicações teóricas sobre o cinema brasileiro nos anos seguintes, o que parece desviar o foco de interesse da crítica brasileira. É com um olhar voltado para essa nova conjuntura que pretendemos compreender o percurso da crítica brasileira a partir do estudo comparativo da recepção desses dois filmes emblemáticos do cinema moderno.

Bibliografia

Essa comunicação está apoiada em fontes primárias e periódicos brasileiros da década de 1960.

BRUM, Alessandra. Hiroshima Mon Amour e a recepção da crítica no Brasil. Campinas, Tese de Doutorado, IA/UNICAMP, 2009.

COSTA, Flávio Moreira da (org.). Cinema Moderno. Cinema Novo. Rio de Janeiro: José Álvaro Editor S.A., 1966.

LIMA, Pedro. Expectativa em torno de Ano Passado em Marienbad. O Jornal, Rio de Janeiro, 27 mai. 1962.

ROCHA, Glauber. Revisão Crítica do Cinema Brasileiro. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1963.

SOUZA, José Inácio de Melo. A Carga da Brigada Ligeira: Intelectuais e Crítica Cinematográfica, 1941-1945. São Paulo, Tese de Doutorado, ECA/USP, vol. I, 1995.

XAVIER, Ismail. O Cinema Brasileiro Moderno. São Paulo: Paz e Terra, 2001.