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  Título
Reflexões sobre tecnologia e a intuição estética na contemporaneidade
Autor
Flávia Campos Junqueira
Resumo Expandido
Em tempos de crise das noções de temporalização e representação, as Ciências Sociais como um todo enfrentam desafios epistemológicos e, neste contexto, as artes ganham espaço com a apropriação de questões de diferentes disciplinas. Ao retomar perspectivas que problematizam a materialidade dos meios e do corpo e a coloca como fundadora de formas de pensar, a Comunicação mostra-se como campo bem preparado para acompanhar e compreender as realidades atuais − permeáveis entre si e potencialmente ricas em signos. Como podemos caracterizar as algumas das práticas culturais da nossa sociedade nos dias de hoje? Comumente ouvimos críticas às tecnologias da comunicação e às formas de socialização emergentes em seus meios, mas não paramos para pensar de que forma isto influencia diferentes âmbitos da nossa vida cotidiana. Fato é que acostumamo-nos a viver permanentemente circundados por celulares, computadores, câmeras e muitos outros aparatos tecnológicos que, muitas vezes já estão tão incorporados à nossa realidade que nem nos damos conta de como seria a vida sem eles. Termos como interatividade, virtualidade e não-linearidade surgem em discursos sobre a vida contemporânea, mas seriam estas as características principais de nossa nova realidade? Seriam novas tais possibilidades ou exploradas em sua plenitude nos novos meios? Diferentes mídias convergem em aparelhos únicos e portáteis. Enquanto alguns profetizam a morte das mídias convencionais, outros questionam a influência da convergência nas linguagens dos meios. Sob a perspectiva de que a tecnologia digital é um potencial meio de criação de linguagens, e de que a materialidade dos meios é responsável por afetações sensoriais, tentaremos neste trabalho reunir ideias que defendem tal visão para uma possível contribuição dos estudos preocupados em compreender a percepção. Neste sentido, pretendemos discutir como a tecnologia da comunicação cria novas subjetividades, despertando nossos sentidos para novas experiências. Não se trata de encontrar uma epistemologia própria, mas de escolher como caminho teórico perspectivas que consideramos essenciais para depreender as mudanças subjetivas pelas quais passamos. A experiência estética será então abordada, no intuito de entender como a disponibilidade de novos recursos técnicos para a produção artística pode levar a questionamentos e mudança de atitude perante a arte e seus objetos. Acreditamos ser este caminho necessário para compreendermos como a presença de novos signos nos afetam, alterando nossa sensorialidade e engendrando uma nova experiência de realidade. As linguagens coevas têm como característica comum o fato de trabalharem com dados. Imagens, textos, músicas, são convertidos em códigos digitais, ou são também totalmente construídos a partir de dados numéricos (MANOVICH, 2000). Podemos entender, neste sentido, que a codificação digital traz sempre consigo a possibilidade de recodificação. Esta sempre possível recodificação do “material” recebido influencia a percepção estética dele: percebemos não só como manipulado (pelo artista, por exemplo), mas como manipulável por qualquer receptor, se assim o desejar. Este se torna um importante fator na construção de um novo pensar nos dias de hoje, se compreendermos como uma mudança de atitude perante os signos, potencialmente abertos a recodificações. Tendências estéticas contemporâneas – como a informação e a pixelização das formas – serão cogitadas/refletidas, a fim de descrever melhor a realidade atual e identificarmos direções para as quais caminhamos, ajudando-nos a desenvolver uma visão crítica e suscitar questões sobre a contemporaneidade. Não pretendemos, portanto, anunciar uma teoria capaz de dar conta da contemporaneidade, mas suscitar debates acerca do modo como operam nossos sentidos quando conceitos cunhados há cem anos passam novamente por crises a partir do avanço tecnológico.
Bibliografia

CASTRO, Ernesto Manuel de Melo. 1997. Uma poética do pixel. Disponível em: . Acesso em: 10 jan. 2011. GREENBERG, Clement. Estética doméstica. São Paulo: Cosac & Naify, 2002. MACHADO, Arlindo. Arte e Mídia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007. MANOVICH, Lev. The language of new media. Cambridge, Mass: Mit Press, 2000. PEREIRA, Vinícius Andrade. Reflexões sobre as materialidades dos meios: embodiment, afetividade e sensorialidade nas dinâmicas de comunicação das novas mídias. Fronteiras: Revista de Estudos Midiáticos. Unisinos: São Leopoldo, vol. VIII, nº 2: p. 93-101, maio/agosto 2006. SERRA, Paulo. Peirce e o signo como abdução. In: Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação. 1996. Disponível em: . Acesso em: 05 dez. 2010. XAVIER, Ismail. Especificidades da montagem. 2005. Disponível em: . Acesso em: 21 abr. 2010.