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  Título
DOCTV: particularidades na descentralização?
Autor
Karla Holanda
Resumo Expandido
Dos mecanismos de incentivo à produção independente de documentários instituídos pelo Ministério da Cultura (ou em parceria com ele) criados na primeira década do ano 2000, o Programa DocTV é o único que contempla, já em sua definição, a regionalização e a descentralização da produção e da exibição: são selecionados projetos de documentários para serem produzidos em todos os estados brasileiros e exibidos nacionalmente através das emissoras que compõem a Rede Pública de Televisão.



A quantidade de filmes produzidos pelo DocTV é expressiva. Na primeira edição, o programa produziu 26 documentários em 20 estados; na segunda, produziu 35 documentários em 27 estados, repetindo o mesmo na terceira edição. Em 2010, foram exibidos os 55 projetos da quarta e última edição. Portanto, nas quatro edições, o programa co-produziu 151 documentários, envolvendo as 27 unidades federativas.



É notória a inovação que o modelo de gestão do DocTV atribuiu à relação do produtor independente com a televisão, tornando um bom negócio às duas partes: o produtor recebe verba para financiar seu filme, dividindo os direitos patrimoniais do filme com a televisão e esta, ao custo de 20% de um só programa de 52 minutos, já que o restante é coberto por recursos federais, recebe todos os demais filmes para exibir em sua grade.



A maior parte da programação televisiva brasileira sempre foi produzida entre os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, assim como da produção cinematográfica, favorecendo uma visão unidimensional. Além da desvantagem econômica para os estados “periféricos”, já que os setores ligados ao audiovisual nesses estados têm uma produção limitada, a centralização da produção também acarreta num “discurso da estereotipia” sobre outras regiões.



Se é evidente que a descentralização da produção tenha se efetivado com o Programa, já que os realizadores locais produziram seus filmes em seus estados de origem, e a descentralização da exibição também, uma vez que os filmes foram exibidos em rede nacional, é possível afirmar que o propósito maior da descentralização tenha se cumprido, ou seja, os filmes do DocTV têm traçado uma “cartografia” dos estados, revelando aspectos particulares das culturas e dos valores estéticos de seus documentaristas? Esses aspectos têm reforçado ou, ao contrário, têm rechaçado eventuais estereótipos reproduzidos pelos veículos de massa?



Atendo-se à terceira edição do Programa DocTV e com o propósito de discutir essas questões, este trabalho, como parte integrante de uma pesquisa de doutorado em curso, vai analisar um filme da região norte – "Alô, alô, Amazônia", do Amapá -, e outro da região sul – "Blau Nunes, o vaqueano", do Rio Grande do Sul -, contemplando seus aspectos formais e temáticos.

Bibliografia

AMANCIO, Tunico. O Brasil dos gringos: imagens no cinema. Niterói – RJ, Intertexto, 2000.

CANCLINI, Néstor García. A globalização imaginada. São Paulo: Iluminuras, 2003.

COMOLLI, Jean Louis. Ver e Poder. Belo Horizonte, Ed. UFMG, 2008.

FRANÇA, Andréa. Terras e fronteiras no cinema político contemporâneo. Rio de Janeiro: 7Letras, 2003.

SANTOS, Milton e SILVEIRA, Maria Laura. Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro, Ed. Record, 2001.

SHOHAT, Ella e STAM, Robert. Crítica da imagem eurocêntrica. São Paulo, ed. Cosac, 2006.