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  Título
O cinema brasileiro em O fan: o Chaplin-Club e sua relação com o pensamento industrial cinematográfico brasileiro na década de 1920
Autor
Fabricio Felice Alves dos Santos
Resumo Expandido
O Chaplin-Club foi fundado no Rio de Janeiro, em 13 de junho de 1928, por quatro jovens cinéfilos que iniciavam suas vidas universitárias. Amigos desde os tempos do colégio, Almir Castro, Claudio Mello, Plinio Süssekind Rocha e Octavio de Faria compartilhavam entre si o culto aos filmes e a intenção de contribuir, através do exercício da crítica cinematográfica, para o desenvolvimento do cinema como arte. Algum tempo depois de sua fundação, o Chaplin-Club já contava com uma publicação própria que apresentava uma seleção de resenhas e ensaios lidos durante as sessões do cineclube. “O Fan”, o órgão oficial do Chaplin-Club, teve seu primeiro número publicado em agosto de 1928 e, com uma periodicidade irregular, alcançou chegar até o número 9, lançado em dezembro de 1930. Ao longo das páginas de “O Fan”, é notável o esforço dos cineclubistas em angariar apoio entre seus pares intelectuais para a legitimação do cinema como objeto de apreciação artística elevada, inserindo-o em um debate que levasse em conta os pressupostos estéticos intrínsecos a essa então nova arte. Porém, o caminho escolhido pelos cineclubistas revela que se eles acenaram mais fortemente para os “homens de letras” de seu tempo, tampouco desprezaram aqueles que se propuseram a pensar mais de perto os rumos da atividade cinematográfica no Brasil. Nesse sentido, o Chaplin-Club também buscou a aproximação com as principais discussões travadas pelo meio cinematográfico brasileiro da época, notadamente as ideias defendidas por Adhemar Gonzaga e Pedro Lima sobre o desenvolvimento de uma indústria cinematográfica brasileira nas páginas da revista “Cinearte”. Comparando as ideias expressas em “O Fan” sobre cinema brasileiro com a análise que Paulo Emilio Salles Gomes fez sobre a campanha pelo filme nacional promovida por “Cinearte”, o alinhamento de ideias entre o Chaplin-Club e o grupo de “Cinearte”, mesmo que tenha se dado de forma parcial, apresenta evidentes pontos de identificação. Nos textos de “O Fan”, é possível avaliar que a incorporação operada pelo Chaplin-Club da noção industrial de cinema divulgada por “Cinearte” se submeteu aos rigorosos paradigmas estéticos defendidos por seus integrantes. Mesmo definindo que o seu principal modo de atuação dentro do “movimento cinematográfico brasileiro” em que se incluía seria através de uma contribuição crítica exigente e rigorosa, o Chaplin-Club não deixou de flertar, a seu modo, com a possibilidade do fazer cinematográfico. E tampouco evitou expor opiniões sobre questões relacionadas ao mercado de filmes no Brasil, comentando, ainda que de forma não sistemática – e, na maioria das vezes, pouco aprofundada –, sobre o circuito exibidor e as possíveis obrigações do Estado com a produção nacional de longas metragens de ficção. O presente trabalho pretende analisar três conjuntos de textos publicados em “O Fan” que indicam como o Chaplin-Club negociou a inserção de suas propostas estéticas no meio cinematográfico brasileiro de então: os roteiros escritos pelos associados, os artigos sobre
Bibliografia

AUTRAN, Arthur. “Pedro Lima em Selecta”. Cinemais, Rio de Janeiro, v. 7, n. 7, 1997, p. 53-65. ____________.