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  Título
Som, música e movimento no audiovisual: ensaio de técnicas para sincronização
Autor
Marcos Paulo Blasques Bueno
Resumo Expandido
O cinema consolida-se no século XX como a arte que proporciona reunião e diálogos entre todas as artes que o precederam. Nele o movimento é explorado em prol da valorização artística criativa, das conduções dramáticas e da narrativa.



O movimento apresenta-se em audiovisual como campo amplo e interativo, ocorre pela somatória de articulações entre artes. Música e Som passam a interagir de maneira cada vez mais híbrida. Convenções e o emprego de técnicas tornam as Trilhas Sonoras e a imagem ainda mais conectados. Aspectos da Montagem, da Fotografia, das cores, movimentos de Câmera, entre outros elementos da imagem, passam a ter cada vez mais uma ligação ainda mais ajustada com elementos sonoros e musicais, ou ainda, sonoro-musicais. Até mesmo as Ambiências ou Paisagens Sonoras acabam por interagir musicalmente transformando-se quase que mais um instrumento na grade das Trilhas Musicais. Sons vocais conectam-se com notas musicais, elementos musicais representam ações ou ruidagens. Um emaranhado de relações de estabelece e o filme ganha movimento.



Mas da aplicação composicional do movimento no audiovisual, como classificá-lo em ensaios acadêmicos? Como planejar seu acontecimento em criações de obras cinematográficas? É possível definir mecanismos de estruturação das sensações gerais e particulares de deslocamentos? O que se discute sobre as questões ontológicas? Tal investigação, sistematizações e diagnósticos desvendam ou inauguram campos de criação, análise e apreciação estética do emprego técnico-criativo e artístico-integrado de movimentos no cinema?



O enfoque do presente estudo é o movimento sincronizado de modelos, objetos e personagens, em trechos de audiovisuais principalmente do gênero musical animado, mais especificadamente criados a partir da técnica stop motion; das relações e dos diálogos estabelecidos entre som, sonoridades, música e movimentos: da comunicação corporal expressiva, da dança, coreografias e deslocamentos de câmera; bem como o ensaio experimental de técnicas e ferramentas criativas específicas de controle e mapeamento do movimento e o estudo sobre o emprego de espacialização sonoro-musical no cinema. Estuda-se som e música a partir de uma abordagem que os trata como elementos que não se desprendem totalmente um do outro, quando Efeitos Sonoros e Música conectam-se de maneira híbrida e quando elementos das Trilhas Sonoras estão relacionados poética ou retoricamente com recursos expressivos da imagem.



A adoção do gênero musical e do stop motion como objeto de investigação deve-se a necessidade que os criadores dessas categorias possuem de realizar mapas de sincronia, pré-roteiros e roteiros técnicos precisamente detalhados, story boards e anotações especiais, conjunções criativas específicas entre diferentes profissionais das áreas composicionais para interações ou diálogos entre imagem, fotografias, cenografias, sons, música, narrativas, entre outros. Dessa forma, tais mapas tornam-se também objetos de estudo da presente pesquisa por trazerem informações relevantes sobre o métier composicional de aspectos do movimento em audiovisuais para o cinema.



A assimilação de técnicas utilizadas para a composição integrada do movimento da imagem conectada diretamente com articulação retórica de música e efeitos sonoros é fundamental para aperfeiçoamentos em projetos interartes experimentais.



Pretende-se demonstrar que ferramentas de notação musical tradicional e contemporânea como recursos gráficos da audiopartitura eletroacústica e da dança, quando anexados aos mapas de sincronia, são úteis na elaboração das guias de movimento, viabilizando maior controle e complexificação; sem necessitar o estabelecimento de novas codificações de parâmetros temporais e do deslocamento. Ao longo da história da música, da dança e do teatro, sistemas gráficos tornam-se bastante funcionais e podem ser aplicados para outros fins, importados por outras artes e ciências como, por exemplo, o cinema - arte integrada e interativa.
Bibliografia

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