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  Título
Opções estéticas na pedagogia feminista de Germaine Dulac
Autor
Rosalia Duarte
Resumo Expandido
Nosso trabalho parte do princípio de que o cinema desempenha papel político/educativo nas sociedades nas quais são vistas e/ou produzidas obras cinematográficas, independente de haver uma intenção explícita nesse sentido. Definimos pedagogia, no contexto cinematográfico, como estratégias e opções, estéticas e narrativas, empreendidas por realizadores e/ou produtores de cinema com o intuito de intervir, a partir dos filmes, de forma educativa (e, por definição, política) nos debates que se estabelecem em uma dada sociedade ou cultura. Não se trata, nesse caso, de filmes educativos, no sentido estrito do termo, mas de obras produzidas com o objetivo de expressar uma posição frente a um dado problema social.

A nosso ver, um conjunto de filmes realizados pela diretora vanguardista francesa, Germaine Dulac, na década de 1920, podem ser enquadrados nessa definição. Dulac, que se declarava feminista — tendo participado das lutas pela emancipação da mulher, em especial, pelo direito das mulheres ao voto —, afirmava, em entrevistas e em artigos sobre cinema, que alguns de seus filmes haviam sido realizados com a intenção de chamar a atenção das mulheres para as condições de opressão a que eram submetidas. Entendendo essa intencionalidade como uma estratégia de natureza pedagógica, de cunho feminista, este trabalho busca identificar, descrever e analisar algumas das opções estéticas de que a diretora lançou mão para atingir seu objetivo.

Tomamos como principal fonte de estudo três filmes dirigidos por Dulac, dois deles escritos por ela própria — La Souriante Madame Beudet (1923), L’invitation au Voyage (1927) — e um terceiro realizado a partir de roteiro de Antonin Artaud — La coquille et le Clergyman (1928). Todos têm personagens femininas como protagonistas e versam sobre questões relacionadas à condição da mulher. Cotejamos a análise dos filmes com artigos sobre cinema escritos por Dulac e com entrevistas concedidas por ela a jornais, reunidos na coletânea Écrits sur le cinéma (1919-1937), publicada na França, em 1994.

Bibliografia

BERGALA, Alain. A Hipótese – Cinema Pequeno tratado de transmissão do cinema dentro e fora da escola. Rio de Janeiro: BookLink. 2008

BIRMAN, Joel. A estética como política. Cinemais – Revista de cinema e outras questões audiovisuais, Brasília, n.9, pp. 12-19, jan/fev. 2008.

DUARTE & TAVARES. A dimensão político/educativa das opções estéticas nos manifestos fundadores do cinema como arte. Revista Contemporânea de Educação. Rio de Janeiro, v. 5, n. 9. - janeiro/julho 2010

DULAC, Germaine. Écrits sur le cinema. (1919-1937). Paris: Éditions Paris Experimental, 1994