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  Título
O Ponto Cine e o acesso ao cinema no Rio de Janeiro
Autor
Marcelo Ernandez Macedo
Resumo Expandido
Este trabalho tem como ponto de partida o seguinte problema: um número reduzido de organizações domina os recursos econômicos, técnicos e culturais relacionados a linguagem audio-visual. Alguns grupos econômicos que atuam em escala internacional detêm os conhecimentos e os outros meios necessários para a produção e a veiculação de imagens audiovisuais. Tratamos, portanto, da democratização do acesso à produção, veiculação e consumo dos chamados produtos culturais. Mais especificamente, abordamos os produtos cinematográficos, partindo da premissa que estes ocupam um lugar privilegiado dentro do mercado áudio-visual nas sociedades de massa e, portanto, em termos de produção de informação e conhecimento. Para discutir o tema, apresentamos os resultados de uma pesquisa que analisa um dos projetos desenvolvidos pelo Ponto Cine, a primeira sala popular de cinema digital do Brasil. Inaugurada há cerca de três anos em Guadalupe – bairro do subúrbio do Rio de Janeiro que tem um dos menores índices de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da cidade – a sala vem desenvolvendo uma série de projetos voltados para a formação de público e para a democratização do acesso ao cinema. No segundo semestre de 2007, o Ponto Cine deu início ao projeto “Oficine-se”, que tem como objetivo formar exibidores em todo o Estado do Rio de Janeiro. O público-alvo são alunos e professores do ensino médio de escolas públicas. O objetivo do projeto é que, após um curso de formação de cinco meses de duração, os alunos sejam capazes de promover a abertura de cineclubes em suas escolas. Pretende-se que estes alunos não só atuem como promotores da linguagem áudio-visual em localidades desprovidas de equipamentos de cinema, mas sejam também multiplicadores da experiência em localidades próximas, incentivando colegas, amigos e parentes a montarem cineclubes em seus bairros. A longo prazo, pretende-se formar uma rede de núcleos de exibição cinematográfica em escolas públicas e que o projeto sirva de referência para políticas públicas nas áreas de educação e cultura. Em sua primeira edição, que terminou em março de 2008, foram formados 28 alunos e 28 professores (dentre as 33 duplas que iniciaram o curso). A partir do curso de formação foram inaugurados cineclubes em escolas dos municípios de Magé, Carmo, Rio Bonito, Aperibé e Rio das Flores. Estas escolas estão formando uma rede de exibição, chamada "Rede Limpa de Exibição", para a qual está sendo desenvolvida uma tecnologia de transmissão de filmes via satélite. Um grupo de pesquisadores da Uerj, com apoio da Faperj, realizou um acompanhamento desse projeto. O objetivo de nossa pesquisa foi realizar uma avaliação do Projeto Oficine-se, com vistas a identificar as condições sociais que contribuíram ou desfavoreceram a formação dos cineclubes nos municípios participantes do projeto. Além de relatórios de pesquisa, o grupo gerou um filme, intitulado "Na trilha do cinema", que discute o tema e apresenta cinco tentativas de implantação de cineclubes. A partir desta pesquisa, estão sendo solucionados os problemas identificados para que, nas demais turmas a serem formadas, a iniciativa possa obter maior eficácia. Para verificar os impactos do projeto sobre os participantes e seus respectivos universos sociais, nos propomos a visitar parte dos municípios que participaram do projeto “Oficine-se”. Dentre as 28 escolas que terminaram o curso de formação, selecionamos 11 como amostra para a pesquisa de campo. Este trabalho apresenta os resultados dessa pesquisa, tendo como pano de fundo o debate sobre o acesso ao cinema no Rio de Janeiro.

Bibliografia

- ALMEIDA, Paulo Sérgio & BUTCHER, Pedro (2003). Cinema, desenvolvimento e mercado. Aeroplano, Rio de Janeiro.

- BOTELHO, Isaura (2003). Os equipamentos culturais na cidade de São Paulo: um desafio para a gestão pública. Espaço e Debates – Revista de Estudos Regionais e urbanos, nº 43/44, janeiro e dezembro. Ed. Anablume, São Paulo.

- CHAUÍ. Marilena (2006). Cidadania cultural – o direito à cultura. Ed. Fundação Perseu Ábramo, São Paulo.

- COELHO, Teixeira (1999). Dicionário crítico de política cultural. Iluminuras, São Paulo.

- DUARTE, Rosalia Maria (2000). “Filmes”, “Amigos” e “Bares”: a formação de cineastas na cidade do Rio de Janeiro. Tese de Doutorado. Departamento de Educação, PUC/RJ, Rio de Janeiro.

- GATTI, André Piero (2004). Distribuição e exibição na indústria cinematográfica brasileira (1993-2003). Tese de Doutorado, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.