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  Título
Relações familiares e amorosas na minissérie Tudo Novo de Novo
Autor
Dennison de Oliveira
Resumo Expandido
“Tudo Novo de Novo” foi uma série de televisão brasileira levada ao ar pela Rede Globo em 2009. Foi escrita por uma equipe de redatores chefiada por Lícia Manzo, supervisionados por Maria Adelaide Amaral. A direção geral ficou a cargo de Denise Saraceni. E exibição era semanal, ocorrendo sempre às sextas-feiras, imediatamente após o Globo Repórter. Embora composta por apenas doze episódios a série logrou expressiva repercussão, sendo considerada por alguns como um retrato da situação atual da família brasileira. Trata-se, pois, de um produto televisivo que possibilita, a partir do exame da sua forma, conteúdo e recepção, se levantar questões relativas a forma pela qual o audiovisual interpreta e representa a realidade.

Vivemos um contexto no qual a liberdade sexual e a liberalização dos costumes parecem se aproximar do seu auge. Herdeiros de uma antiga tradição patriarcal, para nós hoje em dia fica cada vez mais difícil lembrarmos ou fazermos referência à algumas das suas componentes fundamentais como: a proibição do sexo antes ou fora do casamento, a impunidade dos “crimes em defesa da honra”, a restrição dos papéis sociais das mulheres apenas ao âmbito doméstico e familiar, etc. O corolário desse processo de mudança será, provavelmente, a introdução do casamento gay. E, uma vez aprovado, bem poucos se surpreenderão, uma vez que casais de indivíduos do mesmo sexo já desfrutam de uma igualdade de direitos praticamente igual aquela garantida aos casais heterossexuais.

As mudanças operadas nos papéis sociais, decorrentes dessas transformações também foram enormes. Destas, talvez as mais importantes sejam aquelas relacionadas à participação da mulher no mercado de trabalho. Ainda nos anos 1970 a expectativa social mais comum referente à mulher era de que ela se ocupasse dos trabalhos domésticos e da educação dos filhos. Mas nos anos 1980 a participação da mão de obra feminina no mercado de trabalho já era de cerca de um terço do total. Hoje elas são maioria na população economicamente ativa. Com mais mulheres trabalhando, tendo menos filhos, e com o surgimento do divórcio (1977) ocorreu também o aumento do número de lares chefiados por mulheres. Somente nos últimos dez anos o número de mulheres chefiando seus lares cresceu de 21% para 30% do total, o que não deixa de ser um indicador da variedade de arranjos familiares que vem se tornando comum no Brasil contemporâneo, com profundas implicações sobre a moral sexual que rege o comportamento de homens e mulheres. Paralelamente, a partir da introdução do divórcio no Brasil observou-se uma redução do tempo médio de duração dos casamentos que, atualmente, gira em torno de doze anos.

O objetivo desta pesquisa é interpretar como estas componentes da atual conjuntura histórica são abordados (ou não) nessa minissérie. As relações do casal que protagoniza a série com filhos de diferentes casamentos, ex-cônjuges, pais, parentes e demais familiares é essencialmente tensa, problemática e conflituosa, colocando o tempo todo em cheque vida amorosa deles. Trata-se de uma ênfase pouco comum na teledramaturgia atual, podendo ser notada de forma clara nos títulos mesmos dos episódios: 1. “Clara, Miguel e Mais Uma Reconstrução”; 2. “Desejos e Mentiras”; 3. “Engarrafamentos”; 4. “Ensina-me a Namorar”; 5. “Toma que o Filho é Meu”; 6. “Por um Fio”; 7. “Invasões”; 8. “Sogras e Lagartos”; 9. “Duas Irmãs”; 10. “Intimidades”; 11. “Evasões”; 12. “Vende-se”. Finalmente, a pesquisa também prevê um estudo de recepção da série, pretendo a partir dele interpretar as avaliações que a crítica e o público fizeram deste produto televisivo, em especial o grau de "realismo" das relações humanas ali representadas.

Bibliografia

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BURKE, Peter. & BRIGGS, Asa. Uma História Social da Mídia: de Gutenberg à Internet. Rio de Janeiro, Zahar, 2006.



GUYNN, Willian. Writing History in Film. New York, Routledge, 2006.



MACHADO, Arlindo. A televisão levada a sério. São Paulo, Ed. SENAC, 2000.



MENEZES, Paulo. Representificação: as relações (im)possíveis entre cinema documental e conhecimento. Rev. bras. Ci. Soc. vol.18 no.51 São Paulo Feb. 2003.



PENNINGTON, Jody W. The History of Sex in American Film. Performing Arts, 2007.