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  Título
Entre ficção e documentário o experimental no cinema de Sganzerla
Autor
Régis Orlando Rasia
Resumo Expandido
O cinema experimental, fundamentalmente no Brasil ainda é um campo de pesquisa “árido”, mas que com o cineasta proposto encontramos um potente eixo de verificação. Este ensaio é parte integrante da pesquisa em desenvolvimento no programa de Multimeios da UNICAMP, visando traçar um diálogo breve entre a metodologia de análise fílmica e os constructos teóricos que orientariam a pesquisa. Os filmes pretendidos à análise são filmes poucos conhecidos de Rogério S. Assim, buscando circundar as duas linhas de pesquisa referidas, desdobrando sobre os regimes de experimentação do diretor. Estes filmes relatam a vinda ao nosso país do famoso diretor americano Orson Welles. Welles vem ao Brasil no início da década de 40 para a gravação do filme It’s All True <É tudo verdade>, como parte do projeto da “Boa Vizinhança” entre Brasil e Estados Unidos do então presidente Getulio Vargas e Roosevelt. Estes filmes compreendem boa parte de nossa memória audiovisual e histórica, perpassando Carmem Miranda (um dos ícones brasileiros no exterior, com sua história presente nestes filmes propostos à análise), o ator Grande Otelo entre muitos. No entanto, a passagem de Welles acaba por se revelar controversa, cheia de empecilhos e marcada por construções de inúmeros mitos, que assim são retratados nos filmes de Rogério S. No fim, todo o projeto de It’s All True acaba pela demissão do diretor americano, através de jogadas políticas e de desagrado tanto por parte do Brasil, como dos estúdios americanos que financiavam o projeto do filme. O que se creditava a um aparente desaparecimento e mito de que a película havia sido destruída, em meados dos anos 80 várias latas contendo cenas do filme são encontradas em um porão de uma produtora americana, o que gera curiosidade mundial, já que se tratava do filme perdido do reverenciado diretor Orson Welles. Esta descoberta coloca o Brasil em evidência pelo fato das filmagens e construção deste projeto ter ocorrido em nosso país. It’s All true (1942) de Welles, foi montado posteriormente pelo diretor Richard Wilson através de uma abordagem documental no filme It's All True: Based on an Unfinished Film by Orson Welles (1993). Como breve panorama, o filme mitológico acabaria por influenciar uma geração de produtores, e não indiferente Rogério Sganzerla conhecedor desta passagem do diretor pelo Brasil cristalizou toda a sua pesquisa de caráter arqueológico nos três filmes propostos a análise, sendo eles, até mesmo anteriores ao filme de Richard Wilson em 1993 com Nem Tudo é Verdade em 1983. O projeto a ser realizado tem como objetivo atravessar as duas linhas de pesquisa coordenadas pelo professor orientador Francisco Elinaldo Teixeira: 1) “Documentário Brasileiro Contemporâneo: entre descoberta e invenção” e 2) “História do experimental no cinema brasileiro”. Tendo como proposição inicial e núcleo de análise os processos de criação de Rogério Sganzerla, cineasta que introduz a produção documental de nosso século (não sozinho), mas com certas especificidades que marcariam o cinema brasileiro, em especial a produção documental contemporânea através do uso de materiais de arquivos. A segunda proposição se dá no âmbito do cinema experimental brasileiro, ainda carente de estudos, mas que através de Sganzerla encontramos um potente eixo de verificação. Isto se dará analisando a incursão do cineasta nos principais movimentos do experimental como: o cinema da boca do lixo, belair, fases de transição da película/vídeo, queda e retomada do cinema no Brasil no final da década de 80 e inicio de 90. Neste ínterim, a concepção de Sganzerla sobre o campo documental e ficcional é interessante, fazendo com que a produção documental/ficcional tenha como núcleo basilar os regimes de experimentação do cineasta, evidenciando os seus processos de criação.
Bibliografia

FERREIRA, Jairo. Cinema de invenção. São Paulo: Ed: EMBRAFILME, 1986. 304p. PARENTE, Andre. Narrativa e modernidade: os cinemas não-narrativos do pos-guerra. Campinas, SP: Papirus, 2000. 154 p. SGANZERLA, Rogério. Textos críticos 1 e 2. Org. Manoel Ricardo de Lima e Sérgio Luiz Rodrigues Medeiros. Florianópolis Ed: UFSC, 2010 164p. ______________. Encontros. Org Roberta Canuto. Rio de Janeiro Ed: Beco do Azougue, 2007. 205 p. ______________.Por um cinema sem limite. Rio de Janeiro Ed: Azougue Editorial, 2001. 120p. TEIXEIRA, Francisco Elinaldo. A propósito da análise de narrativas documentais in CATANI, Afrânio Mendes (Et al.), Estudos Socine de Cinema - Ano I, São Paulo: Nojosa Edições, 2005, pp. 119-126. ______________. (org.). Documentário no Brasil: tradição e transformação SP Ed:Summus, 2004. 382 p. ______________. O terceiro olho: ensaios de cinema e video. São Paulo Ed:Perspectiva: 2003. 161p.